bogango

1 Nome vulgar de Cucurbita pepo (Cucurbitaceae), também conhecida por mogango. Atribui-se esta designação tanto ao fruto como à planta que o produz. É cultivada há mais de 8000 anos no México e Sul dos Estados Unidos, de onde é originária. Encontra-se largamente difundida nas regiões tropicais e sub-tropicais.

Anual, pode apresentar características variáveis. Os caules, geralmente híspidos, podem ser prostrados ou escandentes. As folhas podem ter de 15 a 30 cm de diâmetro, largamente ovadas, cordadas, híspido-setosas, com lobos agudos. As flores de corola amarela ou alaranjada com 7 a 10 cm de diâmetro têm lobos ovados, agudos ou acuminados e são separadamente masculinas ou femininas. A polinização é feita pelos insectos. O fruto é um pepónio globoso a cilíndrico, liso ou tuberculado de tamanho variável, por vezes grande a muito grande, de cor laranja ou verde quando maduro. Quando colhido bem maduro, no fim do Verão, conserva-se durante todo o Inverno. O pedúnculo é estriado. As pevides são brancas.

A sua cultura na região é idêntica à das abóboras. Também foi largamente usado na engorda de porcos. As suas grandes dimensões tornam-no particularmente desejável para essa finalidade. A polpa, um tanto fibrosa, é menos apetecível do que a das abóboras, mas é largamente usado na alimentação humana. As pevides maiores e mais cheias do que as da abóbora, torradas com sal ou sal, alho e malagueta são muito apreciadas e nunca faltam no cesto do «homem dos torradinhos», figura típica dos Açores sempre presente nas touradas à corda, festas populares, procissões ou nas paragens das camionetas. As pevides de bogango, abóbora, pepino e melão possuem qualidades vermífugas e diuréticas.

Actualmente algumas variedades de Cucurbita pepo são cultivadas para colheita de frutos muito jovens, imaturos, com pouco mais de 10 cm. São comercializados com a designação de courgette ou zucchini ou ainda «aboborinhas» e são deliciosas. Estas variedades cultivam-se como os bogangos e as abóboras e dão elevadas produções nos Açores. Raquel Costa e Silva (Dez.1999)

2, s. Pessoa nutrida e simplória. João Saramago e José Bettencourt (Jul.2000)

Bibl. Bown, D. (1995), The Royal Horticultural Society Encyclopedia of Herbs & Their Uses. Londres: 114. Franco, J. A. (1971), Nova Flora de Portugal (Continente e Açores). Lisboa, I: 478. Grieve, M. (1975), A Modern Herbal. Londres: 239, 829. Palhinha, R. T. (1960), Catálogo das Plantas Vasculares dos Açores. Lisboa, Sociedade de Estudos Açoreanos Afonso Chaves: 118.