boga
1 Nome vulgar da espécie de peixe marinho Boops boops (Sparidae) de acordo com Collins (1954), Sanches (1992) e Santos et al. (1997).
Segundo Albuquerque (1954-56), Bauchot e Hureau (1986) e Fowler (1919) os indivíduos desta espécie têm corpo alongado, fusiforme, moderadamente comprimido, coberto por escamas delgadas, com o bordo livre, finamente pectinado; cabeça de comprimento igual ou pouco menor do que a altura do corpo, de lados escamosos; faces com 3 ou 4 fiadas de escamas pequenas; focinho curto e arredondado, de comprimento igual ou pouco menor que o diâmetro ocular, sem escamas mas com numerosos poros; boca pequena, oblíqua, não atingindo o nível dos olhos, no adulto; lábios muito finos; maxilas anteriormente ao mesmo nível; preopérculo com a margem posterior quase direita; opérculo com a margem posterior chanfrada e terminando numa ponta curta e larga; linha lateral bem aparente, correndo perto e paralela ao perfil dorsal, com 69 a 80 escamas até à base da caudal.
Barbatana dorsal longa e baixa, com 13 a 15 espinhos, o quarto maior do que os outros, e 14 a 16 raios moles; barbatana anal curta e baixa, começando sob o segundo ou terceiro raio mole da dorsal, com 3 espinhos dos quais o terceiro mais forte e longo, e 14 a 16 raios moles; barbatana caudal profundamente chanfrada em forquilha; barbatanas peitorais com 16 a 17 raios moles e de comprimento aproximadamente igual ao da cabeça, mais longas do que as pélvicas.
Coloração cinzento-oliváceo com reflexos azulados ou amarelados no dorso, mais claro nos flancos, e branco prateado no ventre; flancos por vezes com 3 a 5 bandas longitudinais amareladas; opérculos com reflexos prateados; barbatanas claras, mas as pélvicas e a caudal de tom rosado.
Os dentes incisivos, dispostos numa só fiada nos dois maxilares, distinguem-na de todos os outros esparídeos, à excepção da salema (Sarpa salpa) que possui uma dentição em parte idêntica; dada a forma alongada do seu corpo poderá confundir-se, embora dificilmente, com formas juvenis de *besugo, apesar da coloração rosada que este último possui; mais, a barbatana peitoral curta não atinge o nível da abertura anal (Sanches, 1992).
Espécie costeira, frequenta todos os tipos de fundos até 300 metros de profundidade, mas sobretudo até cerca de 150 metros (Sanches, 1992). Gregária, desloca-se em cardumes, subindo até próximo da superfície, à noite. Hermafrodita protogínico é primeiro fêmea e depois macho (Quéro, 1984). Omnívoro.
Ocorre no Mediterrâneo, no Mar Negro e no Atlântico oriental da Noruega, onde é ocasional, e do Norte da Escócia, onde é rara, até Angola e ilhas oceânicas onde é comum desde a Baía da Biscaia até Gibraltar. Foi registada para os Açores por Drouët (1861).
Entra nas capturas comerciais. A sua carne é apreciada mas conserva-se mal e tem muitas espinhas. Luís M. Arruda (Jul.1999)
2, s. Em linguagem familiar, ranho ou monco. Cf: O miúdo anda sempre com a boga no nariz. 3, s. Pancada na cabeça desferida com um pau ou com uma pedra (Dias). João Saramago e José Bettencourt (Jul.2000)
Bibl. Albuquerque, R. M. (1954-56), Peixes de Portugal e ilhas adjacentes. Chaves para a sua determinação, Portugaliae Acta Biologica, (B), 5. Bauchot, M.-L. e Hureau, J.-C. (1986), Sparidae, In Whitehead, P. J. P., Bauchot, M.-L., Hureau, J.-C., Nielsen, J. e Tortonese, E. (eds.), Fishes of the North-eastern Atlantic and the Mediterranean. Paris, UNESCO: 883-907. Collins, B. L. (1954), Lista dos peixes dos mares dos Açores. Açoreana, 5, 2: 103-142. Drouët, H. (1861), Éléments de la faune açoréenne. Mémoires de la Société Académique de l'Aube, 25: 245. Fowler, H. W. (1919), The fishes of the United States "Eclipse" expedition to West Africa. Proceedings of the
