boeiro
Nome usado na crónica histórica do século XVI de Gaspar Frutuoso como de uma ave ocorrendo nas Flores e no Corvo. «Tem outra maneira de pássaros, que se chamam boeiros, tão grandes como pombas, que também comem no mar e criam em terra, cuja matança se faz em Outubro, Novembro e Dezembro, e deles tiram azeite e comem a carne, cozidos e adubados com mostardas, couves e nabos e saramagos, achando-os mais gostosos que galinhas, as quais tomam também nas covas, na rocha e no campo» (Frutuoso, 1998, Livro VI: 135).
Também na crónica do século XVII de Diogo das Chagas, aquando da descrição da ilha do Corvo, está referido: «Há outros passaros, que são tamanhos como boas frangas, a que chamão estapagados; e outros do mesmo tamanho, a que chamão Boeyros; [...], dando lhe os nomes da Voz que a cada qual ouuem, que conforme ao tóm da orelha cada hum pronuncia a Vox do nome que se lhe dá: [...]» (Chagas, 1989: 567).
Pode corresponder à ave marinha nocturna Pterodroma feae (Procellariidae) actualmente conhecida por *freira-do-bugio. Luís M. Arruda (2006)
Bibl. Chagas, D. (1989), Espelho Cristalino em Jardim de Várias Flores. S.l. [Angra do Heroísmo], Secretaria Regional de Educação e Cultura/Universidade dos Açores. Frutuoso, G. (1998), Livro Sexto das Saudades da Terra. Ponta Delgada, Instituto Cultural de Ponta Delgada.
