bodo do Espírito Santo
Em sentido estrito, o bodo do Espírito Santo - ou, como é mais usualmente conhecido, o bodo - é a designação reservada no grupo central dos Açores, particularmente nas ilhas da Terceira, S. Jorge, Pico e Graciosa, a uma distribuição de alimentos que se realiza nos Domingos de Pentecostes e da Trindade - e por vezes também na 2ª feira de Pentecostes -, como parte integrante das Festas do Espírito Santo. Essa distribuição de alimentos - que são previamente benzidos pelo pároco - consta de massa sovada, bolos ou vésperas e de vinho e tem como traço distintivo o seu carácter generalizado: quem quer que o solicite é convidado a servir-se do alimento distribuído. A massa sovada distribuída no decurso do bodo recebe designações variadas de freguesia para freguesia: rosquilhas ou argolas. Nalguns casos, a massa sovada pode ser substituída por pão de trigo. Esta distribuição de alimentos decorre em geral em redor do Império e o seu financiamento e preparação assenta em formas de mordomia colectiva articuladas com modalidades de intervenção do conjunto da comunidade (peditórios, etc.). Nalgumas freguesias da Terceira e ainda nas freguesias do extremo sudeste de S. Jorge (Santo Antão e Topo) realiza-se ainda o chamado *bodo de leite, que consiste numa distribuição de leite ordenhado na ocasião, antecedida de uma bênção do gado pelo pároco.
Em sentido mais lato, bodo é ainda a designação genérica que, mais uma vez no grupo central - em particular na Terceira, S. Jorge e Graciosa -, recebe a parte pública dos festejos do Espírito Santo no decurso dos Domingos de Pentecostes e da Trindade. Além do bodo no sentido estrito, esses festejos incluem festividades de carácter variado, como arraial, bailes, exibições de filarmónicas, arrematações de promessas oferecidas por devotos do Espírito Santo, etc. Definido desta maneira, o bodo diferencia-se da função (também chamada de jantar ou coroação), que, realizando-se nos mesmos dias, corresponde a uma parte mais restrita dos festejos, envolvendo o imperador e/ou mordomo e os seus convidados. João Leal (Nov.1998)
Bibl. Leal, J. (1994), As Festas do Espírito Santo nos Açores. Um Estudo de Antropologia Social. Lisboa, Pub. Dom Quixote. Simões, M. B. (1987), Roteiro Lexical do Culto e Festas do Espírito Santo nos Açores. Lisboa, Instituto de Cultura e Língua Portuguesa.
