bodião-vermelho

Nome vulgar da espécie de peixe marinho Labrus bergylta (Labridae) de acordo com Collins (1954), ICN (1993) e Porteiro et al. (1996).

Segundo Quignard e Pras (1986) e Porteiro et al. (1996), os indivíduos desta espécie têm corpo oval, comprimido com pedúnculo caudal forte; comprimento da cabeça mais curto ou igual à altura do corpo; boca protráctil com uma fiada de dentes (8 a 11/7 a 10), semelhantes a caninos, nos jovens, com 2 a 3 outros, pequenos, formando uma segunda fiada, nos adultos, os anteriores mais longos que todos os outros, mais evidentes nos adultos; lábios com 6 a 8 pregas; bordo posterior do preopérculo serrilhado apenas em indivíduos muito jovens; cabeça com escamas excepto no topo e no focinho; 6 a 8 fiadas de escamas atrás dos olhos; numerosas escamas na superfície tempero-occipital. Barbatana dorsal com 19 espinhos e 11 a 12 raios; anal com 3 espinhos e 9 a 11 raios; peitoral com 13 a 14 raios.

Cor e padrão muito variáveis; corpo, cabeça e barbatanas muitas vezes avermelhados ou castanho-avermelhados com a região dorsal do corpo mais escura, onde cada escama mostra uma mancha azulada, e a região ventral com manchas avermelhadas tornando-se mais claras em direcção à inserção pélvica.

Comum, isolado, no litoral até 80 m de profundidade, mais frequente acima dos 15 m, próximo de rochas e algas, muitas vezes na zona das marés, quando jovem (Wood e Williams, 1974; Arruda et al., 1992; Patzner et al., 1992; Porteiro et al., 1996). Reproduz-se no inverno; ovos bênticos em ninhos; cuidados parentais, uma ou mais fêmeas fazem a postura num ninho de algas, construído pelo macho numa fenda. Alimenta-se de equinodermes, crustáceos e moluscos (Quignard e Pras, 1986; Porteiro et al., 1996).

Ocorre no Atlântico oriental, da Noruega a Marrocos, nas Canárias, na Madeira e nos Açores para onde foi registado por Vaillant (1919) como Labrus maculatus. Luís M. Arruda (Jul.1999)

Bibl. Arruda, L. M., Azevedo, J. N., Heemstra, P. C. e Neto, A. I. (1992), Checklist of the fishes collected on the “Santa Maria and Formigas 1990: Scientific Expediction”. Arquivos do Museu Bocage (Nova Série), 2, 12: 263-273. Collins, B. L. (1954), Lista dos peixes dos mares dos Açores. Açoreana, 5, 2: 103-142. Instituto de Conservação da Natureza (1993), Livro vermelho dos vertebrados de Portugal, vol. III: Peixes marinhos e estuarinos. Lisboa, ICN. Patzner, R. A., Santos, R. S., Ré, P.  e Nash, R. D. M. (1992), Littoral fishes of the Azores: an annoted checklist of fishes observed during de “Expedition Azores 1989”. Arquipélago, (Life and Earth Sciences), 10: 101-111. Porteiro, F. M., Barreiros, J. P.  e Santos, R. S. (1996), Wrasses (Teleostei: Labridae) of the Azores. Arquipélago, (Life and Marine Sciences), 14A: 23-40. Quignard, J. - P. e Pras, A. (1986), Labridae, In Whitehead, P. J. P., Bauchot, M.-L., Hureau, J.-C., Nielsen, J. e Tortonese, E. (eds.), Fishes of the North-eastern Atlantic and the Mediterranean. Paris, UNESCO: 919-942. Vaillant, L. (1919), Appendice In Roule, L., Poissons provenant des campagnes du yacht Princesse-Alice (1891-1913) et du yacht Hirondelle II (1914), Résultats des campagnes scientifiques sur son yacht par Albert I, Prince souverain de Monaco, 52: 129-135. Wood, E. e Williams, B. (1974), Collection of inshore fishes and ecological notes In Azores Expedition 1973, Report of the Exul Sub Aqua Club Scientific Diving Expedition to São Miguel, Azores: 55-69.