bodião-mosqueado

Nome vulgar da espécie de peixe marinho Centrolabrus trutta (Labridae), também conhecido por marracota (Collins, 1954), marracoto ou bodião-verde (ICN, 1993; Porteiro et al., 1996).

Segundo Fowler (1936); Quignard e Pras (1986) e Porteiro et al. (1996), os indivíduos desta espécie têm corpo oblongo, comprimido lateralmente; cabeça menor do que a altura do corpo; focinho cónico não atingindo metade do comprimento da cabeça; olho a meio da distância entre a extremidade do focinho e a margem do opérculo; boca pequena; lábios com 4 a 6 dobras; dentes semelhantes a caninos, cónicos e ponteagudos, pequenos, formando uma fiada (6-9/4-7); preopérculo de bordo serrilhado; interorbital convexo, deprimido medianamente; escamas na base da parte mole das barbatanas dorsal e anal formando uma fiada; barbatana dorsal com 16 a 18 espinhos e 8 a 9 raios, raramente 10; barbatana anal com 4 a 6 espinhos, raramente 4, e 7 a 9 raios, raramente 7; peitoral com 13 a 14 raios; 34 a 38 escamas ao longo da linha lateral e 21 a 27 na linha transversal.

Os jovens com menos de 25 cm de comprimento total mostram um padrão irregular de cerca de 6 manchas acastanhadas, esverdeadas, verticais, expandidas nas bases das barbatanas dorsal e anal, devido a uma mancha existente nas escamas, mais escura na zona dorsal; lista mais clara, longitudinal, desde os olhos até à barbatana caudal; mancha negra redonda, pouco menor do que o olho, a meio da base da barbatana caudal, abaixo da linha lateral. Os indivíduos com mais de 25 cm tornam-se progressivamente de cor azul turqueza, a partir da região ventral do corpo, cabeça, espinhos dorsais e, eventualmente, até todo o corpo. Segundo Azevedo (1997), esta coloração azul dos indivíduos de maiores dimensões ocorre durante o período reprodutor e tem sido verificada em machos, algumas vezes transportando algas na boca, em direcção a abrigos, por baixo de pedras, indiciando a construção de ninho; em várias ocasiões foram observadas perseguições destes indivíduos a exemplares de menores dimensões, com a coloração verde-acastanhada.

Tem sido confundido com Symphodus (Crenilabrus) melops, provavelmente devido à semelhança dos padrões de cor e forma do corpo. Contudo, as duas espécies são facilmente distinguíveis pelo número de espinhos anais (4 a 6 em C. trutta e 3 em S. (C.) melops (Porteiro et al., 1996).

Habita o litoral, em águas pouco profundas de 0 m a 30 m, mas mais abundantes entre 2 m e 15 m, próximo das rochas e zonas cobertas de algas, onde é comum, geralmente isolado quando adulto, ou em grupos de 20 a 30 jovens que também ocorrem nas poças da zona das marés e associados com algas sobre a areia (Wood e Williams, 1974; Arruda, 1979; Patzner, et al., 1992; Porteiro et al., 1996). Alimenta-se de pequenos invertebrados fitais, artrópodes e moluscos, e algas que capturam com movimentos rápidos de todo o corpo em direcção ao substrato quando nadam junto ao fundo, por entre os povoamentos algais. Reproduz-se de Março a Maio. Os machos atingem até cerca de 27 cm e as fêmeas cerca de 23 cm (Azevedo, 1997).

Ocorre no Atlântico oriental, sendo bem conhecido das Canárias, da Madeira e dos Açores para onde foi registado por Drouët (1861), como Acantholabrus romerus. Luís M. Arruda (Jul.1999)

Bibl. Arruda, L. M. (1979), On the study of a sample of fish captured on the tidal range at Azores. Boletim da Sociedade Portuguesa de Ciências Naturais, 19: 5-36. Azevedo, J. M. N. (1997), Estrutura de uma comunidade ictiológica do litoral da ilha de São Miguel (Açores): caracterização e variações espaço-temporais. Tese de doutoramento, Ponta Delgada, Universidade dos Açores. Collins, B. L. (1954), Lista dos peixes dos mares dos Açores. Açoreana, 5, 2: 103-142. Drouët, H. (1861), Éléments de la faune açoréenne. Mémoires de la Société Académique de l'Aube, 25: 245. Fowler, H. W. (1936), The marine fishes of West Africa. Bulletin of the American Museum of Natural History, 70, 1: 1-606. Instituto de Conservação da Natureza (1993), Livro vermelho dos vertebrados de Portugal, vol. III: Peixes marinhos e estuarinos. Lisboa, ICN. Patzner, R. A., Santos, R. S., Ré, P.  e Nash, R. D. M. (1992), Littoral fishes of the Azores: an annoted checklist of fishes observed during de “Expedition Azores 1989”. Arquipélago, (Life and Earth Sciences), 10: 101-111. Porteiro, F. M., Barreiros, J. P.  e Santos, R. S. (1996), Wrasses (Teleostei: Labridae) of the Azores. Arquipélago, (Life and Marine Sciences), 14A: 23-40. Quignard, J. - P. e Pras, A. (1986), Labridae, In Whitehead, P. J. P., Bauchot, M.-L., Hureau, J.-C., Nielsen, J. e Tortonese, E. (eds.), Fishes of the North-eastern Atlantic and the Mediterranean. Paris, UNESCO: 919-942. Wood, E. e Williams, B. (1974), Collection of inshore fishes and ecological notes In Azores Expedition 1973, Report of the Exul Sub Aqua Club Scientific Diving Expedition to São Miguel, Azores: 55-69.