bodião-da-areia

Nome vulgar da espécie de peixe marinho Xyrichthys novacula (Labridae) de acordo com ICN (1993) e Porteiro et al. (1996) também conhecida por peixe-padre (Santos et al. 1997).

Segundo Fowler (1936), Albuquerque (1954-56) e Porteiro et al. (1996), os indivíduos desta espécie têm corpo fortemente comprimido, oblongo-ovado, coberto de escamas grandes, delgadas e lisas; pedúnculo caudal fortemente comprimido; altura do corpo menor do que o comprimento da cabeça; focinho fortemente comprimido com carena, acentuada, média, estendendo-se em direcção à dorsal; olho pequeno, alto, aproximadamente a meio do comprimento da cabeça; boca pequena, terminal, situada muito em baixo; lábios delgados, o inferior um pouco mais grosso, com dobras internas, longitudinais; dentes da fiada exterior alargados e cónicos, dos quais dois semelhantes a caninos alargados na frente de cada maxila; dentes mais interiores baixos, curtos, semelhantes a molares em cada maxila (10 a 13/9 a 10).

Barbatana dorsal longa, começando pouco atrás do nível dos olhos, com 9 ou 10 espinhos, geralmente delgados, os primeiros flexíveis e mais curtos que os 12 raios; anal com 3 espinhos e 11 raios, formando uma porção de barbatana semelhante à da dorsal, oposta a ela, mas terminando mais perto da caudal; peitorais com 11 raios; pélvicas mais curtas do que as peitorais; caudal truncada, com os ângulos arredondados.

Coloração avermelhada-rosada pálida, mais escura no dorso e mais clara nos flancos e ventre; linha vertical azulada por cada fiada vertical de escamas devido a cada uma ter um traço vertical azulado; linhas azuladas também presentes sobre a cabeça; barbatanas amarelas, as verticais com linhas onduladas ou manchas azuladas.

Ocorre em fundos arenosos onde se enterra facilmente quando perturbado (Porteiro et al., 1996). Comum no Mediterrâneo e no Atlântico oriental desde Santa Helena até aos Açores (Bauchot e Blanc, 1961), para onde foi registada por Hilgendorf (1888) como Novacula cultrata. Luís M. Arruda (Jul.1999)

Bibl. Albuquerque, R. M. (1954-56), Peixes de Portugal e ilhas adjacentes. Chaves para a sua determinação. Portugaliae Acta Biologica, (B), 5. Bauchot, M.-L. e Blanc, M. (1961), Poissons marins de l’Est Atlantique tropical. I. Labroidei (Téléostéens Perciformes). Atlantide Report, 6: 43-64. Fowler, H. W. (1936), The marine fishes of West Africa. Bulletin of the American Museum of Natural History, 70, 1: 1-606. Hilgendorf, F. (1888), Die fische der Azoren In H. Simroth (ed.), Zur Kenntniss der Azorenfauna, Archiv für Naturgeschichte, 1, 3: 179-234. Instituto de Conservação da Natureza (1993), Livro vermelho dos vertebrados de Portugal, vol. III: Peixes marinhos e estuarinos. Lisboa, ICN. Porteiro, F. M., Barreiros, J. P.  e Santos, R. S. (1996), Wrasses (Teleostei: Labridae) of the Azores. Arquipélago, (Life and Marine Sciences), 14A: 23-40. Santos, R. S., Porteiro, F. M. e Barreiros, J. P. (1997), Marine Fishes of the Azores: An annoted checklist and bibliography. Arquipélago, Life and Marine Supplement, 1.