bodião
Nome vulgar da espécie de peixe marinho Thalassoma pavo (Labridae) também conhecida por verdugo ou torcida (Santos et al., 1997) ou ainda rainha (Santos et al., 1997; ICN, 1993; Porteiro et al. (1996). Também aparece escrito bodeão. Sampaio (1904) associou este nome vulgar à espécie Labrus merula, da mesma família, referido para os Açores por alguns autores (v. g. Hilgendorf, 1888; Fowler, 1936; Patzner et al., 1990) mas a sua ocorrência necessita de confirmação por ser frequentemente confundida com Centrolabrus trutta (*bodião-mosqueado).
Segundo Quignard e Pras (1986) e Porteiro et al. (1996) os indivíduos da espécie T. pavo têm corpo oblongo e comprimido, coberto de escamas muito largas e finas, excepto na cabeça e base das barbatanas dorsal e anal; cabeça de comprimento quase igual à altura do corpo, com alguns poucos poros cefálicos; pré-orbitário mais curto do que o pós-orbitário; preopérculo liso; boca com uma fiada de dentes em forma de caninos, curvados, finos, sendo os dois anteriores maiores, em ambas as maxilas (9 a 13/10 a 13); alguns indivíduos com uma segunda fiada, anterior, de dentes pequenos; lábio superior com 6 a 8 dobras, inferior com 3 a 4; barbatana dorsal com 8 espinhos e 13 raios; anal com 3 espinhos e 11 raios; peitoral com 14 raios; caudal, nos adultos, com os raios mais exteriores prolongados.
Corpo das fêmeas e dos jovens de cor amarelada, com 5 bandas verticais azuis, conspícuas, terminando ao nível da peitoral; mancha, grande, irregular, escura, nas segunda e terceira bandas; região ventral azul-acinzentado desde a cabeça até, pelo menos, ao pedúnculo caudal; cabeça, acastanhada, com 5 a 6 linhas azuis, irregulares, nascendo dos olhos; região anterior da barbatana dorsal cinzenta clara, com listas longitudinais, azuis, acastanhadas e avermelhadas, com a margem dos três primeiros espinhos verde e os outros azuis; anal cinzenta-azulada, azul e vermelha, com listas longitudinais, verdes; caudal com raios castanhos e azuis; mancha escura na inserção da peitoral. Machos de coloração semelhante, faltando as 5 bandas azuis mas com uma banda vertical, azul, conspícua, desde a base da barbatana dorsal até ao ventre, atrás da inserção da barbatana peitoral, muitas vezes delimitada com vermelho, especialmente no bordo posterior; bandas longitudinais azuis, pretas e vermelhas escuras ao longo das barbatanas; cabeça azul, mais escura do que a das fêmeas.
Habita o litoral, próximo de rochas, com ou sem areia, e algas, geralmente entre 1 m e 50 m, mas podendo ir até 150 m. Durante o dia nada, geralmente até 30 cm acima do substrato, mas à noite enterra-se na areia ou cascalho fino. Os juvenis vivem em grupo de 12 a 15 indivíduos, próximo das rochas. O macho normalmente solitário ou em associação com algumas fêmeas, provavelmente defende um território, mostrando agressão a outros machos e fêmeas (Wood e Williams, 1974; Porteiro et al. (1996). Reproduz-se de Maio a Agosto; alimenta-se de algas, anfípodes, isópodes e gastrópodes (Azevedo, 1997).
Ocorre no Mediterrâneo e no Atlântico, da costa portuguesa para sul até ao Gabão, nas Canárias, na Madeira e nos Açores para onde foi registado por Drouët (1861), como Julis pavo. Luís M. Arruda (Jul.1999)
Bibl. Azevedo, J. M. N. (1997), Estrutura de uma comunidade ictiológica do litoral da ilha de São Miguel (Açores): caracterização e variações espaço-temporais. Tese de doutoramento, Ponta Delgada, Universidade dos Açores. Drouët, H. (1861), Éléments de la faune açoréenne. Mémoires de la Société Académique de l'Aube, 25: 245. Fowler, H. W. (1936), The marine fishes of
