bochecha

Nome vulgar da espécie de peixe marinho Gobius paganellus (Gobiidae) segundo Collins (1954), ICN (1993) e Santos et al. (1997) também conhecido por joana (Collins, 1954; Santos et al., 1997) e caboz (Sampaio, 1904; Santos et al., 1997).

Os indivíduos desta espécie têm corpo moderadamente alongado, subcilíndrico a comprimido, com a cabeça deprimida; olhos dorsolaterais; espaço interorbital estreito; faces redondas proeminentes; nuca com escamas; narina anterior com processo digitado na margem posterior. Segunda barbatana dorsal com 1 espinho e 14+1 raios; anal com 1 espinho e 11+1 a 12+1 raios; peitoral com 21 a 24 raios sendo os livres bem desenvolvidos, podendo atingir a origem da primeira dorsal; pélvica em forma de disco redondo, membrana anterior algumas vezes com lobos laterais pequenos; 53 a 60 escamas em séries laterais (Arruda, 1979). Sistema de linha lateral com a fiada sub-orbital d dividida em duas partes e as fiadas transversais 2 e 3 algumas vezes terminando próximo da órbita; fiada terminando anteriormente, atrás do poro ; e poro sobre um ramo lateral curto do canal óculo-escapular, ao longo do bordo mais inferior da órbita (Miller, 1986).

Coloração castanha clara, com mosqueado escuro e manchas laterais castanhas escuras; margem superior da primeira barbatana dorsal clara.

Habita na zona das marés, onde é comum, em locais abrigados com abundância de algas ou em locais expostos protegidos por calhaus ou saliências rochosas (Arruda, 1979) e na área sublitoral. Alimenta-se, predominantemente, de isópodes e anfípodes, mas também de gastrópodes, poliquetas e caranguejos; sexualmente maduro com um ano de idade e cerca de 8 cm de comprimento total, reproduz-se de Janeiro a Junho (Azevedo, 1997). Os ovos demersais são colocados pelas fêmeas debaixo de pedras ou de conchas de bibalves vazias, onde aderem, e são guardados pelos machos até à eclusão (Miller, 1961).

Ocorre no Mar Negro, Mediterrâneo e Atlântico oriental, da costa escocesa à senegalesa e nas ilhas oceânicas (Miller, 1986). Foi registada para os Açores por Hilgendorf (1888). Luís M. Arruda (Jul.1999)

Bibl. Arruda, L. M. (1979), On the study of a sample of fish captured on the tidal range at Azores. Boletim da Sociedade Portuguesa de Ciências Naturais, 19: 5-36. Azevedo, J. M. N. (1997), Estrutura de uma comunidade ictiológica do litoral da ilha de São Miguel (Açores): caracterização e variações espaço-temporais. Tese de doutoramento, Ponta Delgada, Universidade dos Açores. Collins, B. L. (1954), Lista dos peixes dos mares dos Açores. Açoreana, 5, 2: 103-142. Hilgendorf, F. (1888), Die fische der Azoren In H. Simroth, Zur Kenntniss der Azorenfauna, Archiv für Naturgeschichte, 1, 3: 179-234. Instituto de Conservação da Natureza (1993), Livro vermelho dos vertebrados de Portugal, vol. III: Peixes marinhos e estuarinos. Lisboa, ICN. Miller, P. J. (1961), Age, growth, and reproduction of the rock goby, Gobius paganellus L., in the Isle of Man. Journal of the Marine Biological Association of the United Kingdom, 41: 737-769. Id. (1986), Gobiidae In Whitehead, P. J. P., Bauchot, M.-L., Hureau, J.-C., Nielsen, J. e Tortonese, E. (eds.), Fishes of the North-eastern Atlantic and the Mediterranean. Paris, UNESCO: 1019-1085. Sampaio, A. S., (1904), Memória sobre a ilha Terceira. Peixes. Angra do Heroísmo, Imp. Municipal: 129-136. Santos, R. S., Porteiro, F. M. e Barreiros, J. P. (1997), Marine Fishes of the Azores: An annoted checklist and bibliography. Arquipélago, Life and Marine Supplement, 1.