boca-negra
Nome vulgar da espécie de peixe marinho Helicolenus dactylopterus subespécie dactylopterus (Scorpaenidae) de acordo com Collins (1954), como Helicolenus madurensis, ICN (1993), Isidoro (1989) e Martins (1981) também conhecido por cantarino (Isidoro, 1989; Martins, 1981).
Segundo Ginsburg (1953), os indivíduos desta espécie têm olhos maiores do que o focinho; espaço interorbital estreito e fortemente côncavo; extremidade do maxilar aproximadamente sob a margem anterior da pupila; crista parietal dividida em duas partes desiguais, a anterior longa, terminando ambas em pontas espinhosas; espinho frontal colocado lateralmente à crista parietal, em linha com o pós-ocular; espinhos sobre e sob o pós-temporal bastante próximos; pós-orbital ausente; segundo espinho preopercular mais longo, atingindo cerca de metade da distância à margem do opérculo ou mais; primeiro espinho distintamente mais curto do que o segundo, subigual ou ligeiramente mais longo do que o terceiro, sem um espinho complementar; quarto e quinto espinhos moderados.
Barbatana dorsal, tipicamente, com 12 espinhos, dos quais o mais longo é sub-igual à parte pós-orbital da cabeça, e 11 a 13 raios, raramente 10; ventral com o ângulo externo um pouco atrás do ângulo peitoral inferior, atingindo aproximadamente o ânus; peitoral atingindo para trás, aproximadamente, a vertical passando pela extremidade da ventral, geralmente com os 2 raios superiores não ramificados, com os 8 a 10 seguintes ramificados, com os 7 a 9 mais inferiores não ramificados, num total de 19 a 20, sendo os raios não ramificados mais inferiores muito afilados, com as extremidades distais separadas umas das outras por aproximadamente metade do seu comprimento e com a margem posterior da sua metade superior aproximadamente recta, ligeiramente inclinada; barbatana caudal muito moderadamente emarginada.
Cor amarelada ou dourada; parte superior do corpo com marcações escuras, irregulares, parcialmente anastomosadas ou confluentes, com o pigmento escuro confinado, principalmente, à margem das escamas; grande parte da cavidade bucal especialmente a posterior, a superior e a face interna da cobertura das brânquias de cor preta ou escura.
Esta subespécie difere de duas outras, alopátricas (maderensis e lahillei), por lhe faltar, geralmente, um espinho sobre a crista suborbital; ter 66 a 73 escamas na linha longitudinal; cabeça, maxilares, peitorais e ventrais de tamanhos médios entre as outras duas subespécies mas de olhos maiores, distância interorbital mais estreita e mais raios peitorais.
Bêntica, entre 150 m e 600 m mas podendo ocorrer até aos 1000 m. Ovi-ovovivipara. Fecundação interna entre Junho e Outubro e reprodução de Janeiro a Maio (Isidoro, 1989). No Atlântico, pode atingir 46 cm de comprimento máximo.
Segundo Eschmeyer (1969) são reconhecidas quatro populações da subespécie H. d. dactylopterus localizadas no Mediterrâneo e Atlântico oriental, no Golfo da Guiné, na África do Sul e no Atlântico noroeste. Foi registada para os Açores por Vaillant (1888) como Sebastes dactylopterus.
A sua carne branca e firme é apreciada. Entra nas capturas comerciais. Luís M. Arruda (Jul.1999)
Bibl. Collins, B. L. (1954), Lista dos peixes dos mares dos Açores. Açoreana, 5, 2: 103-142. Eschmeyer, W. N. (1969), A systematic review of the Scorpionfishes of the
