blecnáceas
Família de fetos, baseada no nome genérico Blechnum, constituída por plantas perenes terrestres, epilíticas ou epífitas, de rizoma curto, rastejante ou erecto, por vezes formando um caule, revestido no ápice de escamas não clatradas, de frondes de 15 a 250 cm longas, de estipe não articulado, geralmente escamoso na base, de lâmina penatipartida, penatissecta ou pinada, com os segmentos ou pinas basais reduzidas ou não, geralmente dimórficas, de nervuras ramificadas e anastomosadas, formando uma fiada de aréolas de um e de outro lado da nervura média dos segmentos ou pinas, de soros curtos de oblongos a lineares incluídos nas aréolas ou de soros longos e contínuos, constituindo cenossosos na margem dos segmentos ou pinas, de indúsios de oblongos a lineares, abrindo para a nervura média ou ausentes, de esporângios globosos e de esporos monoletos e elipsoidais. Fazem parte desta família 12 géneros com cerca de 175 espécies, tendo os géneros Blechnum e Woodwardia distribuição mais ampla. Desta família ocorrem nos Açores três táxones: (a) Blechnum spicant subsp. spicant, var. spicant; (b) Woodwardia radicans; e (c) Doodia caudata. Tem sido indicada pare a ilha de S. Miguel Blechnum occidentale. Por vezes à espécie Woodwardia radicans dá-se-lhe o nome de feto-do-botão.
Blechnum spicant subsp. spicant var. spicant é formado por hemicriptófitos de rizoma curto, de oblíquo a erecto, revestido no ápice de numerosas e pequenas escamas castanhas e linear-lanceoladas, de frondes dispostas em tufos, geralmente coriáceas, de até 70 x 7 cm, dimórficas, de estipe curto, menos de 1/2 do comprimento da lâmina, com escamas pequenas e lineares na base, unipartidas, unipenatissectas ou unipinadas, oblongo-lanceoladas, atenuadas na base, com 25 a 60 segmentos ou pinas de cada lado, de frondes estéreis patentes, de lâmina oblonga a lanceolada, de até 40 cm longas, com segmentos de 3-5 cm largos, lanceolados, largos na base e obtusos, inteiros ou crenados, adnados na base, com nervação livre, de 1 ou 2 frondes férteis erectas e no centro do tufo das frondes estéreis de até 60 cm longas, com estipe cerca de 1/2 do comprimento da lamina, com lâmina oblonga a lanceolada, unipenatissecta, com segmentos afastados uns dos outros, adnados na base, lineares, os superiores curvados, para o ápice, de cenossosos ocupando todo o comprimento dos segmentos. Aparece nos sítios húmidos e sombrios de ravinas, dos bordos de regatos e lagoas entre 300-900 m de altitude (Franco, 1973; Sjögren, 1973), também se encontra nos bosques de Cryptomeria japonica. É elemento comum de associações de Juniperion brevifolii e de Litorello-Eliocharion (Sjögren, 1973) e invade o substrato de Ericetum azoricae (Willmanns e Rasbach, 1973). Distribui-se por todas as ilhas açorianas, pela ilha da Madeira e pelas ilhas de Gomera e de Tenerife, nas Canárias. B. spicant subsp. spicant var. spicant ocorre na Europa, África do Norte, Ásia Menor, Cárpatos e Cáucaso (Ormonde, 1986; Salvo, 1990). Foi em 1844 que Watson indicou, pela primeira vez, este taxon sob o binome Blechnum boreale de modo explícito para as ilhas das Flores, do Faial e do Pico. Sob esta designação, em 1866, Drouët, além daquelas ilhas, refere S. Miguel, enquanto que sob B. spicant, além de S. Miguel, assinala-o para a Terceira. Têm sido reconhecidas duas variedades: a típica e a var. homophyllum, endémica da Galiza e do Norte de Portugal. Esta variedade distingue-se da típica por apresentar frondes mais pequenas e as frondes férteis serem do mesmo tamanho e os seus segmentos terem forma semelhante à das frondes estéreis (Ormonde, 1986; Salvo, 1990).
Blechnum occidentale difere de B. spicant por as plantas a ela pertencentes terem rizoma oblíquo e frondes não dimórficas, lanceoladas e penatissectas. Foi encontrada na ilha da S. Miguel, na Ribeira de Guilherme, próximo do Nordeste, a 120 m de altitude, numa encosta um pouco íngreme, ligeiramente ensombrada, associada a Arundo donax, Polystichum setiferum e Hedychium gardnerianum. Esta planta é originária da América tropical e pode espalhar-se pelas regiões temperadas e húmidas por meio de fuga à jardinagem, como é o caso dos Açores e das ilhas Hawai (Fernandes e Queirós, 1980a; Tryon e Tryon, 1982). Quando em 1972 foi encontrado este feto, Willmanns e Rasbach (1973) confundiram-no com B. homophyllum da Peninsula Ibérica nordocidental. A. C. Jermy e J. A. Crabbe (in littere, Londres) que tiveram a oportunidade de observar os espécimes colhidos, chegaram à conclusão de que se trata de B. occidentale (Fernandes e Queirós, 1980a).
Doodia caudata é uma espécie caracterizada por hemicriptófitos de rizoma curto e oblíquo, revestido de pequenas escamas linear-lanceoladas, negro-acastanhadas, de frondes dispostas em tufos, dimórficas, de até 30 x 3 cm, de oblongo a linear-lanceoladas, unipartissectas ou pinadas, de estipe muito menor que a lâmina, com pequenas escamas semelhantes à do ápice, de pinas sésseis a estipetadas e auriculadas pare a base da lâmina e adnadas pare o ápice, de frondes estéreis de até 20 cm longas, de estipe menos de 1/6 do comprimento da lâmina, de segmentos ou de pinas oblongas, dentadas, falcadas, truncadas na base, de frondes férteis maiores de até 30 cm longas, de estipe cerca de 1/4 do comprimento da lâmina, de lâmina mais estreita, mais áspera e mais rígida e com um ápice longamente caudado, de pines linear-lanceoladas, as superiores curvadas pare o ápice da lâmina, de nervuras anastamosadas excepto nas margens, de soros oblongos não contínuos, formando uma fiada de um e de outro lado da nervura média, podendo ficar contínuos na maturação, de indúsio oblongo. Vive entre 20 a 200 m de altitude nos muros dos sítios húmidos, nas anfractuosidades das rochas do leito das ribeiras e em entradas de grutas, geralmente em associações antropocóricas. Tem sido encontrada nas ilhas do Faial, do Pico, da Terceira e de S. Miguel. Também ocorre como subespontânea na ilha da Madeira. Originária da Austrália, Nova Zelândia e Tasmânia. Desde há muito que este feto é cultivado nos Açores como planta ornamental, mas só a partir dos finais da década de 50 é que foi herborizada primeiro em S. Miguel (Fernandes, 1957), depois no Faial (Vasconcellos, 1968), na Terceira (Hansen, 1973; Ormonde e Paiva, 1973) e no Pico (Fernandes e Queirós, 1980b). José Ormonde (Mai.1999)
Bibl. Drouët, H. (1866), Catalogue de la flore des îles Açores précédé de litinéraire dun voyage dans cet archipel. Mémoires de la Société Académique de lAube, 30, 3: 81-233. Fernandes, R. B. (1957), Plantas herborizadas na ilha de São Miguel (Açores) pela Exma Senhora D. Gizélia Bettencourt de Oliveira. Anuário da Sociedade Broteriana, 23: 13-16. Fernandes, A. e Queirós, M. (1980a), Tab. XXII. Blechnum spicant (BLECHNACEAE) In Fernandes, A. E Fernandes, R. B. (eds.), Iconographia Selecta Florae Azoricae. Coimbra, Secretaria Regional da Cultura da Região Autónoma dos Açores, 1, 1: 113-118, tab. XXII. Fernandes, A. e Queirós, M. (1980b), Tab. XXIII. Doodia caudata (BLECHNACEAE) In Ibid.: 119-122, tab. XXIII. Franco, J. A. (1973), A phytogeographical sketch of the
