Biscoitos, erupção dos
A única erupção vulcânica histórica ocorrida na ilha Terceira deu-se no ano de 1761. Os sinais precursores foram o incremento da actividade sísmica, desde de 22 de Novembro de 1760, e a redução das emissões gasosas da sulfatara das Furnas do Enxofre, cuja data não é possível precisar. A intensidade da actividade sísmica aumentou até 14 de Abril de 1761, dia em que se fez sentir o sismo mais forte de toda a crise (Neves In Canto, 1882).
Na manhã de 17 de Abril, na sequência de três dias de intensa actividade sísmica, começou a erupção, com centro atrás dos Picos Gordos. Foram lançados para a atmosfera fragmentos de rocha, cinzas e gases. Com o decorrer da erupção, formou-se, a 21 de Abril, outro centro eruptivo constituído por várias bocas, situado no local do Mistério Velho. Este foco manteve-se activo durante oito dias, extruindo uma grande quantidade de lava, cujas escoadas se dividiram em três braços: um correu para este, até ao local da Chama, numa extensão aproximada de 330 metros; outro correu para oeste, com um comprimento de 2000 m parando no Tamujal; outro ainda dirigiu-se para norte, dividindo-se por sua vez noutros dois, o maior dos quais, com uma extensão de cerca de 6 km e uma largura máxima de 2 km, alcançou a freguesia dos Biscoitos, destruindo 27 casas, tendo parado próximo da igreja.
A população, em pânico, já tinha abandonado a freguesia, refugiando-se na freguesia vizinha das Quatro Ribeiras, não havendo, portanto, perda de vidas humanas a lamentar. Nos relatos da época conta-se que, devido ao facto da escoada ter um avanço lento e tranquilo, as pessoas que formavam uma procissão em volta da escoada, acendiam tochas na lava encandescente (Drummond, 1856).
Tratou-se de uma erupção fissural, com dois centros principais, que deu origem a vários cones de escórias de pequena dimensão e a um de dimensão média no local do Mistério Velho. O material extruído é de natureza basáltica (sensu latu) com termos havaíticos e mugearíticos (Self, 1973). Segundo Self (1973), tal facto pode ter ficado a dever-se a uma ascensão de magma, menos evoluído, após a extrusão do material residente na parte superior da conduta. Rui Coutinho, Paulo Valadão e Dina Silveira (2002)
Bibl. Archivo dos Açores (1983), Ponta Delgada, IV. Drummond, F. F. (1981), Anais da Ilha Terceira. Angra do Heroísmo, Secretaria Regional da Educação e Cultura, II. Self, S. (1973), Recent Volcanism on
