bico-de-garrafa
O nome é atribuído às espécies de baleias do género Mesoplodon da família dos Zifídeos. Este género agrupa cerca de uma dúzia de espécies de hábitos pelágicos, raras vezes se aproximando do litoral, e todas elas semelhantes. Arredias das costas e rotas de navegação, são pouco conhecidas. Os animais gregários, de tamanho razoável (entre 5 e 7 metros), distinguem-se pela cabeça abaulada e um tanto deprimida, terminando num focinho alongado em forma de bico, e guarnecido por um único par de dentes implantado na mandíbula inferior. As diversas espécies deste género distinguem-se pela implantação dos dentes, mais ou menos recuados, pela estrutura craniana e pelo colorido da pele.
As espécies deste género são difíceis de identificar com segurança e, por isso, são indistintamente conhecidas pelo nome de baleias-de-bico, por causa da configuração do focinho.
Nos Açores, o bico-de-garrafa corresponde à espécie Mesoplodon bidens, que oscila entre 3,50 e 4,50 metros de comprimento total. São frequentemente avistadas a partir das vigias durante todo o ano. Trata-se de animais tímidos, fugitivos que se observam com muita dificuldade a partir de embarcações. Os Açores são uma zona onde apenas estão de passagem. Frequentemente solitários e por vezes aos pares, é possível, com mar calmo, segui-los graças à esteira provocada pelos batimentos da caudal.
O perfil da cabeça é caracterizado por uma bossa frontal de linhas prolongadas para a frente por um rostro comprido e estreito. O evento está situado a menos de 1/7 do comprimento do corpo em relação à extremidade do rostro. A dorsal é pequena, com o bordo posterior côncavo. As peitorais são pequenas e arredondadas na extremidade. A coloração é quase negra sobre o dorso, podendo observar-se zonas acinzentadas ou esbranquiçadas na face ventral.
Trata-se de uma espécie pelágica, em sectores oceânicos de águas profundas. Subsiste ainda uma notável falta de elementos de referência acerca do estatuto e da dinâmica das suas populações.
Esta espécie tem o estatuto de Insuficientemente conhecido no UICN Red Data Book e no Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. Francisco Reiner Garcia (Abr.1998)
