bicho-frade

O percevejo verde das plantas, bicho frade ou simplesmente frade, Nezara viridula (Pentatomidae), é um heteróptero de coloração verde homogénea, brilhante, que mede entre 12 e 17 mm de tamanho. As patas e as antenas tem um tom ligeiramente mais claro do que o resto do corpo, sendo ambas mais ou menos rosadas no ápice. As fêmeas são, em geral, maiores do que os machos.

Tem reprodução sexuada, ovípara. As posturas das fêmeas acasaladas podem atingir cerca de 70 ovos, e são geralmente feitas em grupos (Carvalho e Aguiar, 1997).

É uma espécie picadora-sugadora e polífaga, quer no estado de ninfa, quer no de adulto. Pode ser observada com frequência a alimentar-se de Euforbiáceas (e.g. Euphorbia, Ricinus) e de plantas cultivadas, nomeadamente, citrinos (laranjeira), tomateiros, trevos (Carneiro, 1982), milho, feijoeiro e batateira. Absorve os sucos de diferentes partes da planta (folhas, gomos florais, fruto e ápices vegetativos), causando-lhe raquitismo, murchidão e, por vezes, perda total; além disso, provoca uma diminuição do peso do frutos. Por outro lado, ao picar os tecidos vegetais, deixa feridas que permitem o desenvolvimento de bactérias e fungos causadores de doenças e podridão.

N. viridula é, sobretudo, uma praga das hortícolas (Carvalho e Aguiar, 1997). No princípio do século já era frequente nas hortas e jardins da Terceira (Sampaio, 1904). Segundo Carneiro (1982), tem uma importância económica relativa grande nos trevos para produção de semente. Mais recentemente, tem afectado alguns milheirais da ilha de Santa Maria.

Espécie cosmopolita, originária do Sudeste Asiático, é vulgar em regiões continentais e insulares de clima tropical, subtropical e temperado (Carvalho e Aguiar, 1997). Está presente nos arquipélagos da Macaronésia, incluindo o dos Açores, nomeadamente, nas ilhas de S. Miguel (Lindberg, 1960; Carneiro, 1982), Terceira (Sampaio, 1904), Flores (Vieira et al., 1990), Santa Maria e Faial. Virgílio Vieira (Jun.1999)

Bibl. Carneiro, M. (1982), Pragas das culturas na Ilha de S. Miguel. Boletim da Sociedade portuguesa de Entomologia, 7, Supl. A: 7-33. Carvalho, J. P. e Aguiar, A. M. F. (1997), Pragas dos citrinos na Ilha da Madeira. Funchal, Secretaria Regional de Agricultura, Florestas e Pescas. Lindberg, H. (1960), Hemiptera from the Azores and Madeira. Boletim do Museu Municipal do Funchal, 13, 33: 85-94. Sampaio, A. S. (1904), Memória sobre a Ilha Terceira. Angra do Heroísmo, Imp. Municipal. Vieira, V., Tavares, J., Anunciada, L. e McNeil, J. (1990), Alguns dados sobre a fauna entomológica da ilha das Flores - Açores In “Expedição Científica FLORES/89” (Relatório Preliminar). Relatórios e Comunicações do Departamento de Biologia da Universidade dos Açores, 18: 63-67.