Bettencourt, António de

[N. Ponta Delgada, 3.10.1679- m. Lisboa, 5.9.1738] Jesuíta. Teólogo e Orador Sacro. Saiu muito jovem dos Açores. Aos quinze anos (a 18.03.1695) ingressou, em Goa, na Companhia de Jesus, professando a 15.08.1712. Exerceu, por longos anos, o múnus sacerdotal na Índia. De regresso a Portugal, possivelmente nos inícios da década de 30, vinha com grande fama de teólogo e de orador. Apenas publicou em vida um sermão (1736). Dos outros, num gesto de humildade, lançou-os ao fogo quando abandonou a Índia. Só após a sua morte foram reunidos os restantes sermões, em número de doze, que leu nos púlpitos de Portugal, tarefa de que se incumbiu o Pe. Paulo Amaro, introdutor do volume (1739). Os seus dotes retóricos e a eloquência do seu estilo foram reconhecidos pelos seus contemporâneos. A licença de publicação dos sermões, que se encontra na citada obra póstuma, chega a equiparar-lhe a oratória à do Pe. António Vieira. O texto das suas prédicas integra-se na estética literária do barroco. Sem anástrofes forçadas, usa um estilo coloquial directo, dando mais notória importância à ideia do que à palavra, ao assunto e à sua inteligibilidade do que ao burilamento exagerado da frase. Conhecedor profundo do pensamento patrístico, da exegese bíblica que maneja com à-vontade e da teologia tomista em que se formou, alguns dos seus sermões têm o sabor de pequenos tratados teológicos, nomeadamente naqueles em que se dá a preleccionar sobre a união hipostática e a sacramental. Avultam como temas maiores o sofrimento redentor de Cristo e a função salvífica de Maria. Manuel Cândido Pimentel (Jun.1998)

Obras (1736), Sermão da Soledade da Mãe de Deus. Lisboa, Of. de Joseph António da Silva. (1739), Sermões. Lisboa, Of. Silviana.