Bettencourt, António Borges de
[N. Ponta Delgada, S. Miguel, 9.11.1710 m. ibidem, ?.6.1772] De uma família de militares de carreira e da nobreza da sua ilha, assentou praça como soldado na 2.ª companhia do presídio de S. Brás, em Ponta Delgada, sendo sucessivamente promovido a alferes, em 1729; a tenente, em 1734; a capitão, em 1747 e a sargento-mor de infantaria paga do castelo de S. Brás e das ordenanças da ilha por carta patente de 30 de Agosto de 1757, uma espécie de governador de armas da ilha. Justificou a sua nobreza, sendo-lhe passada carta de brasão de armas e foi cavaleiro fidalgo da Casa Real, em 1722.
Foi governador de S. Miguel e tornou-se numa das mais proeminentes figuras da sociedade micaelense do século XVIII sempre muito louvado e apreciado pelas suas qualidades, conduta e dinamismo. Quando em 1760 foram expulsos os jesuítas da ilha de S. Miguel foi-lhe incumbida essa missão e o sequestro, arrolamento e administração dos bens da Companhia. Nessa ocasião ter-se-ia apoderado do manuscrito das Saudades da Terra de Gaspar Frutuoso que então existia na livraria dos jesuítas, salvando-o assim de sair da ilha. Procedeu também com aplauso governamental ao levantamento de receitas destinadas à guarnição militar do Rio de Janeiro, em 1765.
Quando da sua morte, o elogio fúnebre nas exéquias levadas a efeito na igreja do convento da Esperança foi proferido pelo padre Dâmaso José de *Carvalho, que o publicou. J. G. Reis Leite (2006)
Bibl. Mendes, A. M. O. O. (1971), Anotações às três primeiras séries de cartas e ofícios do primeiro capitão-general dos Açores, D. Antão de Almada In Arquivo Açoriano. Lisboa, Ed. de Victor Hugo Forjaz, vol. XVI, parte 1.ª: 216. Sousa, N. (2002), Programas de arquitectura militar quinhentista em Ponta Delgada e Angra do Heroísmo até ao século XVIII. Arquipélago-história, Ponta Delgada, 2.ª série, VI: 104 e segs.
