Bettencourt
GENEALOGIA Dos Açores - Família normanda descendente de Filipe de Bethencourt, senhor de Bethencourt en Braie e de Saint Vicent de Rouvray, cavaleiro de Luís VIII, rei de França (1223-1226). Deste foi quarto neto em varonia Reinaldo de Bethencourt, segundo vice-rei das Canárias que teve quatro filhos. O primogénito, João IV de Bethencourt regressou a França onde casou, com geração. O segundo, Maciot de Bethencourt, sucedeu no senhorio das Canárias que vendeu, passando à ilha da Madeira com mulher e os sobrinhos Henrique e Gaspar, filhos de seu irmão Henrique de Bethencourt. E ainda Jorge de Bethencourt, que passou a Castela, onde casou com Dona Elvira de Ávila, filha de Estêvão Domingues, senhor de Navas e Cespedoza, dando origem aos Bettencourt e Ávila.
1ª linha - Das ilhas Terceira, Graciosa e S. Jorge. O primeiro desta família a passar aos Açores foi Antão Gonçalves de Ávila, filho de João Sanchez de Bethencourt, senhor de S. Bartolomeu de Naverronda e de sua mulher Maria Vaz de Badilho, e neto de Jorge de Bethencourt supracitado. Fugindo da guerra das comunidades, ou de lutas familiares, ter-se-á acolhido a Portugal, mais precisamente à vila de Almeida, onde casou com Antónia Gonçalves de *Antona, filha de Afonso Gonçalves *Baldaia, O Navegador. Acompanhou o sogro à Terceira e fez seu assento na Praia. Ele e sua mulher tiveram dois filhos legítimos e cinco filhas. Fora do matrimónio teve Artur Gonçalves de Ávila, que se fixou na ilha Graciosa, onde casou e teve numerosa descendência repartida por todas as camadas sociais.
O primogénito, sucessor na casa de seus pais e chefe dos Bettencourt e Ávila portugueses, Melchior Gonçalves de Ávila, passou também à Graciosa, onde casou com Inês Gomes Freire, filha de Gomes Lourenço Coelho, o Rico e de sua mulher Iria Vaz Freire, e dele descende grande parte da nobreza graciosense. O secundogénito, João de Ávila Bettencourt, casou com Maria Pais, com geração, cuja varonia se extinguiu. Das filhas, quatro casaram na Terceira, com geração, e uma quinta passou igualmente à Graciosa, onde casou e teve numerosa descendência.
De S. Jorge - Estes Bettencourt e Ávila passaram à ilha de S. Jorge pela primeira vez com o capitão Melchior Gonçalves de Ávila, filho de Damião Dias Picanso e de Filipa Gomes de Ávila, da Graciosa. O capitão Melchior casou três vezes em S. Jorge, a primeira com Maria da Silveira, a segunda com Luzia Pereira e a terceira com Isabel Fernandes. De todos estes casamentos ficou geração que difundiu os apelidos na ilha. Passaram segunda vez com Nuno da Cunha de Ávila, que nasceu na Graciosa, filho de Cristóvão da Cunha de Ávila e de D. Catarina da Veiga Espínola. Este casou nessa ilha com Adriana do Soto-Maior e foi o tronco dos Cunhas do Topo e Calheta, também com geração até à actualidade.
2ª linha Da ilha Terceira. O ramo socialmente mais destacado desta família fixou-se no primeiro quartel do século XVI, através do madeirense Francisco de Bettencourt, filho de João de Bettencourt e de sua mulher Barbara Gomes Teixeira, e segundo neto de Henrique de Bethencourt, acima indicado. Casado ainda na Madeira com Joana Mendes de Vasconcelos, filha de Rui Mendes de Vasconcelos e de Isabel Correia, não teve geração de um segundo casamento na Terceira, e faleceu em Angra a 9.10.1582. Os seus dois filhos, João de Bettencourt de Vasconcelos e Henrique de Bettencourt de Vasconcelos, casaram na mesma ilha e deixaram geração que veio a aliar-se à maioria das famílias da principal nobreza de Angra, onde fica o solar deste ramo da linhagem - a casa da Madre de Deus. Um ramo segundo, chefiado por Vital de Bettencourt de Vasconcelos, estabeleceu-se na freguesia de S. Mateus e, mais tarde, veio a construir o solar da rua da Rosa. Deste Vital foi sexto neto o primeiro visconde de Bettencourt, João de Bettencourt Vasconcelos Correia e Ávila, cujo título foi criado pelo rei D. Luís I, por decreto de 13.11.1873. D. Carlos I viria a elevar à grandeza esta família, na pessoa de Diogo de Bettencourt Vasconcelos Correia e Ávila, filho segundo do primeiro visconde que, por decreto de 6.12.1893, foi criado conde de Correia de Bettencourt. Desta linha ficou descendência, tanto nos Açores como no continente.
De S. Miguel - Gaspar de Bettencourt, filho terceiro de Henrique de Bethencourt, já mencionado, passou da Madeira à ilha de S. Miguel acompanhando sua tia, D. Maria de Bettencourt, mulher do capitão do donatário daquela ilha, Rui Gonçalves da Câmara. Esta senhora, como não tivesse filhos, fez um morgado de seus bens, deixando o sobrinho por administrador. Casara este com D. Guiomar de Sá, que uns fazem filha de João Rodrigues de Sá, e outros de Henrique de Sá. Gaspar de Bettencourt faleceu no ano de 1522 e a mulher em 1547. O casal teve, primogénito, a Henrique de Bettencourt, que casou em S. Miguel com D. Maria de Azevedo, filha de Manuel de Oliveira de Azevedo, estribeiro-mor do cardeal D. Henrique, com geração em Castela. O filho segundo, João de Bettencourt e Sá, sucedeu na casa e morgado de seu pai, e casou com D. Guiomar de Sampaio, filha de Gonçalo Vaz Botelho, e tiveram seis filhos e duas filhas, com geração. A Gaspar de Bettencourt e D. Guiomar de Sá nasceram mais quatro filhas, duas das quais com geração.
Gaspar de Bettencourt teve ainda, fora do matrimónio, a Gaspar Pordomo, que o pai legitimou, casado e com geração, e Rafael de Bettencourt. Aliados às principais famílias de S. Miguel, estes Bettencourt tiveram numerosa descendência, tão numerosa que nesta, como nas restantes ilhas, se distribui por todos os quadrantes sociais .
Do Faial e Pico - Os deste apelido nestas duas ilhas descendem de Filipa Vaz de Ávila, casada com Álvaro Pereira da ilha do Pico. Esta Filipa pertencia certamente à primeira linha (Bettencourt e Ávila) e aventa-se que pudesse ser neta de Maria Gonçalves de Ávila, casada com Antão Fernandes Leal e filha de Antão Gonçalves de Ávila, acima mencionado. Filipa Vaz de Ávila casou com Álvaro Pereira, residente no Pico, e tiveram dois filhos e uma filha. O primogénito, Antão de Ávila Bettencourt, casou com Águeda de Brum da Silveira, com geração. O filho segundo, Pedro Leal de Ávila, casou com Inês da Silveira Peixoto e também teve geração. A filha, Catarina de Ávila Pereira, veio a casar com Manuel de Brum da Silveira, de quem foi primeira mulher, e deixou descendência, alguma da qual usou o apelido materno. Finalmente, no começo do século XIX, e tal como sucedera em S. Jorge, passou à ilha do Faial um ramo da segunda linha na pessoa de José Bettencourt de Vasconcelos. Manuel Lamas (Mar.2000)
HERÁLDICA De prata, com um leão de negro, armado e lampassado de vermelho. Timbre: o leão do escudo. Luís Belard da Fonseca (2000)
