Bensaúde, S. A.

Remonta a “Salomão Bensaúde e Companhia”, empresa micaelense fundada entre os primos e cunhados Salomão e Elias Bensaúde, a 5 de Dezembro de 1835 e dissolvida a 22 de Junho de 1847.

Após a dissolução desta primeira iniciativa, Salomão Bensaúde (?-1865), manteve a sua actividade comercial a título individual, durante dez anos. Depois, associou os filhos, Salom e Abraão, e fundou a firma designada “S. Bensaúde e Filhos” (entre 3 de Setembro de 1858 e 18 de Março de 1862), que, foi substituída por “S. Bensaúde e Filho” (que vingou até 30 de Setembro de 1865), quando Salomão tomou por único sócio seu filho Abraão. Aquando da morte de Salomão, em 1865, a empresa foi dissolvida, conforme o Código Comercial, mas constituída de novo, com o mesmo nome. Abraão Bensaúde começou por associar sua mãe aos negócios (escritura de 30 de Setembro de 1865), mas depois registou a empresa a título individual (a 26 de Fevereiro 1866). Esta última empresa vigorou até 20 de Junho de 1873.

Elias Bensaúde (1807-1868), por seu turno, manteve-se sozinho nos seus negócios, ainda que associando Naphtaly Levy, na ilha Terceira, durante um curto espaço de tempo (1862-1867) e seu sobrinho Salon, no reino, aos seus negócios de tabaco. À sua morte, em 1868, os herdeiros constituíram a firma “Herdeiros de Elias Bensaúde”, que funcionou até 1872, quando as empresas “S.Bensaúde e Filho” e “Herdeiros de Elias Bensaúde” reuniram os seus patrimónios, nascendo, então, “Bensaúde & Cª” (20 de Março de 1872 a 30 de Junho de 1873). Entretanto, a sede da nova empresa foi transferida para Lisboa e procedeu-se a nova escritura comercial (30 de Junho de 1873).

Novas escrituras da empresa, primeiro, ligando Abraão Bensaúde (1839-1912) a seus primos e cunhados, Walter (1850-1920) e Henrique (1853-1924), e depois, ligando os herdeiros, foram sendo realizadas, nomeadamente, a 5 de Agosto de 1912, 17 de Março de 1919, 3 de Novembro de 1919, 14 de Março de 1924, 27 de Setembro de 1924.

O grande comércio internacional e a navegação caracterizou, sem dúvida, os negócios dos patriarcas da família Bensaúde - Salomão e Elias. No entanto, José Bensaúde (1835-1922), primo do primeiro e sobrinho do segundo, também construiu uma importante fortuna em sua vida, ligada à indústria e à terra.

À terceira geração, os patrimónios de “Bensaúde & Cª” e de “Herdeiros de José Bensaúde” vieram reunir-se em Vasco Bensaúde (1896-1967), filho do historiador Joaquim Bensaúde (1851-1952) e de Cecília Bensaúde (1861-1960) e, por isso, neto de José por via paterna e de Elias por via materna. Vasco Bensaúde era pai de Filipe Rogério Bensaúde (1924-1999), herdeiro de “Bensáude & Cª, Limitada”.

A 21 de Janeiro de 1927, de novo, a empresa era registada como “Bensaúde & Companhia, Limitada”, explicitando-se que estava destinada ao exercício do comércio sem espécie alguma determinada. A sua sede continuava a ser em Lisboa e o seu estabelecimento na Rua Nova do Almada, nº11, 1º andar, com sucursais nas ilhas do Faial e S. Miguel. Na altura, eram constituídos seus bastantes procuradores, Francisco Henrique Brito do Rio, Alfredo Augusto de Mendonça e Albano Pereira da Ponte, atribuindo-se a este último os “poderes necessários para gerir e administrar os negócios da mandante, tanto em Lisboa como nos Açores e entre eles” (escritura de 26 de Janeiro de 1927).

Em 4 de Fevereiro de 1953, à matricula acima descrita, acrescentava-se que a sociedade respeitava ao “exercício do comércio de comissões e consignações”. Em 24 de Julho de 1968, a sociedade transformava-se em sociedade anónima de responsabilidade limitada, denominando-se, agora, “Casa Bensaúde – Importações e Exportações, SARL”, tendo ainda, porém, por objecto o comércio de importações e exportações. Continuava com as filiais no Faial e em S. Miguel. No ano seguinte, a sede era transferida para a Rua Áurea, nº 181, 5º andar, também em Lisboa.

A 3 de Maio de 1971, eram nomeados os membros do Conselho de Administração da Sociedade “Casa Bensaúde – Importações e Exportações, SARL” - Filipe Rogério Bensaúde, Beatriz Olga Cecília Raquel Julie Bensaúde, Antonieta Regina Helena Bensaúde, Patrícia Alix Olga Bensaúde e Pedro António Salema Garção - para a “Parceria Geral de Pescarias, Limitada”, com sede na Azinheira Velha, Barreiro, representada por José de Lucena, e para “J. H. Ornelas & Companhia, Sucessor, Limitada”, com sede na Avenida Infante D. Henrique, em Ponta Delgada, representada por Filipe Rogério Bensaúde,

A 22 de Janeiro de 1974, os estatutos da sociedade foram alterados, mas a designação da firma manteve-se. O capital social era, agora, de 20 mil contos, dividido em vinte mil acções de valor nominal de mil escudos, cada uma. “A Administração da sociedade incumbe a um Conselho composto por três a sete membros eleitos trienalmente e reelegíveis, havendo também um Conselho Geral, composto pelos membros do Conselho de Administração e até mais sete membros eleitos trienalmente e também reelegíveis, podendo os membros do Conselho Geral ser sócios ou não”.

A 14 de Maio de 1976, a sede voltava a estabelecer-se, de novo, na ilha de S. Miguel, no Largo Vasco Bensaúde, n.º 13, em Ponta Delgada, nas instalações que tinham sido adquiridas à antiga Misericórdia, por Salomão Bensaúde, nos inícios da segunda metade de oitocentos.

Através de uma relação interna do pessoal, datada de 1970, relativamente às ilhas, mencionavam-se 739 empregados distribuídos pelo escritório central; Bureau de Turismo; Stand Castrol; Oficina de Reparações Marítimas; Fundição Lisbonense; Estância de madeiras; Oficina de Carpintaria e marcenaria; Óleos combustíveis; Doca e Combustíveis; Calafates; Messe das Flores; Hotel Casino das Furnas; Hotel de Santa Maria; Sociedade Ilha Verde, Lda; J. H. Ornelas & Cª, Suc, LDA; Oficina Wolkswagen; F.T.M. e Sata. Não se tinham contemplado, na ilha de S. Miguel, os empregados de Varela e Cª Ldª, Mutualista, Banco Micaelense, Companhia de Seguros Açoreana, Fiação e Tecelagem Micaelense, nem os da Filial da ilha do Faial.

Se nos finais do século XIX, os investimentos Bensaúde já eram omnipresentes no tecido empresarial do arquipélago, começando a dar, então, os seus primeiros passos no continente, nos finais do século XX, as empresas do grupo Bensaúde, S.A. expandem-se por vários domínios e actividades facturando, anualmente, vários milhões de contos. O grupo, que mantém uma coesão e uma estrutura familiares exemplares, regista as seguintes empresas: Farias, Ldª; Bencon, Armazenagem e Comércio de Combustíveis, S.A; Mutualista Açoreana de Transportes Marítimos, S.A.; Agência de Viagens Ornelas, Ldª; J. H. Ornelas & Cª, Suc., Ldª; Parceria Geral das Pescarias Ldª; Açortec, Distribuidora de Materiais de construção, Ldª; Varela & Cª, Ldª; Gruben, Sociedade Mediadora de Seguros, Ldª; Bensitur, Sociedade Açoreana de Investimentos Turísticos, Ldª; Soc. Carvão e Fornecimentos do Faial, Ldª; Empresa Destiladora do Algoz, S.A.; Bensaúde, Agentes de Navegação, Ldª; Benorn, Oficina de Reparações Navais, Ldª; Turazor, Sociedade de Empreendimentos Turísticos dos Açores, Ldª; Porturotel, Promoção Turística e Hoteleira, S.A.; Açores 2000, Sociedade de Desenvolvimento Turístico dos Açores, S.A.; Centrovia; Bentrans, Cargas e Transitários, Ldª.

 Recorde-se que, até há sensivelmente vinte cinco anos atrás, se devia acrescentar às empresas do grupo a SATA - Sociedade Açoriana de Transportes Aéreos, SARL; a SINAGA - Sociedade de Indústrias Agrícolas; o Banco Micaelense; a Companhia de Seguros Açoreana; a Fábrica de Tabaco Micaelense - importantes investimentos na ilha de S. Miguel – e a Empresa Insulana de Navegação – empresa que estabeleceu as ligações entre as ilhas e destas com o continente e a Madeira, desde 1871.

Nos últimos anos, o turismo, os combustíveis e os transportes são as principais actividades do grupo. Dados relativos a 1996, apontam uma facturação de 16,2 milhões de contos (181 milhões de euros). Entre 1996 e 1999, o cash flow gerado pelo grupo, com 800 trabalhadores, manteve-se nos 2,2 milhões de contos (11 milhões de euros) por ano. Fátima Sequeira Dias (Jul.2000)

Bibl. Açoriano Oriental (2000), 9 de Junho. Dias, F. S. (1995), A Fábrica de Tabaco Micaelense, 1866-1995. Ponta Delgada, Jornal de Cultura. Id. (1996), Os empresários micaelenses no século XIX: o exemplo de sucesso de Elias Bensaúde (1807-1868). Análise Social, XXXI, 136-137: 437-464. Id. (1996), Uma Estratégia de sucesso numa economia periférica. A casa Bensaúde e os Açores, 1800-1873. Ponta Delgada, Jornal de Cultura, 1996. Id. (1997), Diário de Navegação. 50º aniversário do 1º voo comercial da Sata – Air Açores. Ponta Delgada.