Bensaúde, Abraão Nathan
[N. Ponta Delgada, 1839 m. Paris, 1912] Filho de Salomão Bensaúde (?-1865), nascido em Marrocos, e de Esther Friedberg Nathan (1819-1883), nascida em Inglaterra, Abraão pertenceu à primeira geração de judeus nascidos nos Açores. Casou com sua prima Emília Nathan Bensaúde (1848-1919), filha mais velha de seu tio Elias Bensaúde (1806-1868), de quem não teve geração. Teve, porém, uma filha fora do casamento, que legitimou.
A primeira referência à sua actividade empresarial remonta à firma Salomão Bensaúde e Filhos (1858-1862), quando seu pai associava aos seus negócios os filhos, Salom e Abraão. A partir da dissolução desta empresa e até à morte de seu pai, Abraão exerceu a sua actividade empresarial na firma Salomão Bensaúde e Filho (1862-1865).
Abraão Bensaúde, apesar de não ser o primogénito, herdou a empresa do falecido pai, enquanto os irmãos, Sereira (1841-1891) e Salom (1838-1915), foram compensados com um sexto dos bens do casal. Depois da morte de seu pai, embora tivesse estabelecido novas escrituras de constituição de empresa, a firma preservou a designação de Salomão Bensaúde e Filho até 1873 - data em que se reuniram os patrimónios da empresa com os da Herdeiros de Elias Bensaúde, transformando-se a firma em Bensaúde & Cª.
Fundador de Bensaúde & Cª, juntamente com seus primos Walter (1850-1920) e Henrique Nathan Bensaúde (1853-1924), Abraão assumiu a postura de grande empresário: fundou o Banco Lisboa e Açores, em Lisboa, e abriu uma caixa filial do seu banco, em Ponta Delgada. Principal accionista da Empresa Insulana de Navegação - empresa criada em 1871, mas cuja actividade se desenvolveu a partir de 1873, sob a sua égide - seria o grande obreiro do estabelecimento de uma carreira regular de navegação entre o reino e os arquipélagos da Madeira e dos Açores.
Abraão Bensaúde continuou a investir nos Açores, mas os investimentos no continente e no Ultramar já se lhe afiguravam mais rentáveis, pela dimensão e capacidade de expansão económica desses mercados.
Ao contrário de seu pai, delegou competências e transferiu a sede da empresa, que funcionava no Largo da Misericórida Velha, em Ponta Delgada, para a Rua Nova do Almada, em Lisboa, no ano de 1873. Também estabeleceu residência na capital, numa casa apalaçada, na Rua de S. Domingos à Lapa. Dedicava-se, agora, aos grandes negócios da banca e da navegação, enquanto as empresas açorianas ficavam a cargo de seus primos.
O seu testamento ilustra a dimensão da enorme riqueza acumulada em apenas duas gerações. Essa riqueza explica o panegírico publicado na imprensa micaelense, na hora da sua morte. Fátima Sequeira Dias (Jul.2000)
Bibl. Abecassis, J. M. (1990), Genealogia Hebraica, Portugal e Gibraltar, séculos XVII a XX. Lisboa, Liv. Ferin, II, §16, N4. Dias, F. S. (1999), Uma Estratégia de Sucesso Numa Economia Periférica. A Casa Bensaúde e os Açores, 1800-1873. 2ª ed., Ponta Delgada, Ribeiro & Caravana. Diário dos Açores (1912), 23 de Abril e 1 de Maio.
