bençãos e graças concedidas por entidades divinas às pessoas, aos alimentos e aos campos
A situação da Agricultura depende das boas ou más condições climatéricas e, quando não chove, provém a esterilidade da terra e a insuficiente alimentação do povo. Quando há um estio prolongado, nalgumas freguesias do Ramo Grande (Lajes S. Brás, Vila Nova), dizem: Senhor São Pedro e São Mateus/ Atendei aos nossos prantos,/ Mandai água e a graça de Deus/ para alagar os nossos campos.
Há outra variante com a mesma finalidade: Senhor São Mateus,/ Olhai pelos campos seus;/ Mandai chuva com caridade/ na graça de Deus.
No dia das sementeiras, para que o trigo ou o milho cresçam com vigor e abundância, o povo recorre a São Joaquim, pai adoptivo de Jesus, ou a São João Evangelista: Eu nome de São Joaquim,/ Eu semeio este grão santo/ Para que cresça outro tanto./ Padre, Filho e Esprito Santo. Outra variante: Em nome de São João/ Eu lanço à terra este grão/ Para que cresça e dê bom pão.
Quando o tempo está chuvoso, o povo diz: O tempo está de trouvo. Com o tempo de chuva, as mulheres que se ocupam nas lides da casa não conseguem secar a roupa e dizem: Santo estio, estiai,/ Santa Clara esclareai,/ Nossa Senhora mandai Sol/ Para enxugar o seu lençol.
Depois de ceifar os trigos, era necessário limpar a palha dos mesmos, em que o trabalho era realizado nas eiras. Mas para que a operação resultasse, era preciso que soprasse um pouco de vento. E então, quando não havia vento, proferiam as palavras: Senhor São Lourenço,/ Mandai o vento sem castigo/ Pra limpar a palha do trigo. Borges Martins (Mar.1998)
