beladona
1 Nome vulgar atribuído, nos Açores, a Amaryllis belladonna (Amaryllidaceae), também por vezes designada por meninas-para-a-escola e donabela. As flores cor-de-rosa e perfumadas e a rusticidade justificam popularidade e difusão. Introduzida neste arquipélago no início do século XIX, adaptou-se rapidamente e encontra-se largamente difundida. Originária da África Austral, é muito abundante nos Açores, na Madeira e nas ilhas de Jersey.
Planta bolbosa, permanece em repouso durante os meses de Julho e Agosto, período em que não apresenta folhagem. No mês de Setembro surgem os escapos florais de cor púrpura terminados por duas brácteas iguais a protegerem os botões. As umbelas de 6 ou mais flores na extremidade do escapo floral podem atingir os 10 cm. Têm perigónio petalóide com 6 tépalas, gamopétalo, afunilado e simétrico. As tépalas cor-de-rosa tornam-se mais claras na base, onde formam um tubo curto, são oblanceoladas e agudas. Apresenta 6 estames, deflexos como o estigma, ovário trilocular. O fruto é uma cápsula. As folhas aparecem depois das flores, são carnudas, glabras, verde-brilhantes, com cerca de 50 cm de comprimento, lineares, estreitando ligeiramente na base, um pouco côncavas na página superior e tornando-se aquilhadas para a base, permanecem todo o Inverno e secam apenas no Verão, quando a planta entra em repouso. Os bolbos cobertos por uma casca castanha são achatados, entunicados, com escamas brancas e delicadas, com cerca de 10 cm de diâmetro, desenvolvem-se à superfície do solo, formando maciços por vezes com muitos bolbos.
Não suporta temperaturas inferiores a -5°C, necessitando de um período quente durante o repouso para produzir flores em abundância. Gosta de solo bem provido de matéria orgânica, com boa drenagem, exposição ensolarada e bastante humidade. Nos Açores encontra excelentes condições acima dos 300 m. A multiplicação faz-se facilmente no período de repouso separando os bolbos e plantando-os depois individualmente, tendo o cuidado de deixar fora da terra cerca de 1/3 de cada um.
Tem sido utilizada principalmente para ornamentar as estradas de altitude. Em Setembro e Outubro os maciços de flores têm grande beleza. Esporadicamente têm-se feito exportações de bolbos, mas sem continuidade e a baixo preço. Por vezes é usada como flor cortada em arranjos florais, mas o seu perfume intenso em espaços pouco arejados torna-se desagradáve1.
2 Nome vulgar de Atropa belladonna (Solanaceae). Atropa, na mitologia grega, é uma das três parcas, a mais velha, a que corta o fio da vida. A designação foi atribuída a este género, devido à natureza venenosa das plantas que inclui. É espontânea na Europa, Ásia Ocidental e Norte de África, onde prefere sítios húmidos ou sombrios e terrenos alcalinos. Tem sido cultivada na Europa Ocidental em áreas bem protegidas.
Proto-hemicriptófito glabro a pubescente, glanduloso. Caules com 50-150 (200) cm, muito ramosos. Folhas de 20 cm de comprimento, verde-escuras, ovado-acuminadas. Flor com o cálice de lobos acuminados, tornando-se estrelado-patente no fruto, corola com 2,5-3 cm violáceo-acastanhada; anteras esbranquiçadas. O fruto é uma baga com 15-20 mm, brilhante, negra ou raramente verde-acastanhada, com mesocarpo púrpura-avermelhado. Toda a planta é venenosa.
Vivaz, mas bianual quando cultivada. Propaga-se facilmente pelas sementes. O preço de venda varia com a sua riqueza em alcalóides, que depende da técnica de cultura.
É de valor inestimável em medicina, devido à sua riqueza em alcalóides. A oftalmologia utiliza a atropina, uma das substâncias extraídas da beladona, para dilatar a pupila. As pomadas e emplastros de beladona são extraídos desta planta ou fabricados a partir dos seus alcalóides e são usados para aliviar dores reumáticas e de outra natureza. Também está ligada a numerosas histórias de crime por envenenamento e de mortes de crianças, que são atraídas pelos seus frutos semelhantes a cerejas, doces mas venenosos. Raquel Costa e Silva (Dez.1999)
Bibl. Bown, D. (1995), The Royal Horticultural Society Encyclopedia of Herbs & Their Uses. Londres: 246. Coutinho, A. X. P. (1913) Flora de Portugal. Lisboa: 535. Franco, J. A.(1984), Nova Flora de Portugal (Continente e Açores): 196. The Royal Horticultural Society Diccionary of Gardening (1992), Londres, I: 146.
