bela aurora

Género coreográfico em que normalmente participam um cantador, dois tocadores de violas de arame e um número variável de bailhadores. Normalmente os tocadores dão início ao bailho, à medida que entram os homens que completam a roda cujas dimensões dependem das dimensões do recinto. Por vezes é dada indicação cantada para “Que não balhasse(m) os s’nhores homes(ens)/ Sem as senhoras mulheres,” completando-se então os pares.

Tal como os Braços ou o Casaco, o seu aparecimento nos bailhos - seu contexto original - é mais recente do que o da maior parte dos outros bailhos de roda (como por exemplo a charamba ou a sapateia).

A Bela Aurora canta-se actualmente nas nove ilhas, podendo ser ou não ser bailhada e com este título aparecem diferentes canções regionais semelhantes quanto às características do texto, instrumentais, rítmicas, melódicas e harmónicas. Exemplos de semelhanças observadas são:

- Versos heptassilábicos descrevendo uma bela mulher chamada Aurora que chora a perda do seu amado e que é amada por outro. “Ai Bela Aurora” ou “Oh Bela Aurora” são interjeições frequentes.

- Afinação da corda “prima” das violas um tom acima (Mi4 em vez de Ré4), por ser normalmente tocado na tonalidade de Dó Maior.

- Alternância de divisão binária e ternária dentro de cada frase, ou alternância de frases com células rítmicas de valores mais longos e frases com células que os subdividem; repetições de uma síncopa regular e de outra irregular em cada exemplo; entradas caracteristicamente em anacrusa.

- Melodias quase só com graus conjuntos e, compasso a compasso, harmonias de I e V7 que se sucedem. Quando os dois tocadores têm a mesma capacidade técnica, a melodia e suas difíceis variações são tocadas por um, enquanto o outro acompanha; normalmente um dos tocadores “é melhor,” cabendo ao outro o papel de instrumentista acompanhador.

Alguns bailhos de roda com este nome, foram recolhidas por Artur Santos (que as categoriza como modas de baile) nas Ilhas de Santa Maria (1958) e S. Miguel (1960) e incluídas na Antologia Sonora: O Folclore Musical nas Ilhas dos Açores (respectivamente nos discos nº 7 de Santa Maria e nº 3 da 2ª série de S. Miguel). Cristina Brito da Cruz (Mai.1998)

Bibl. Dias, F. J. (1981), Cantigas do Povo dos Açores. Angra do Heroísmo, Instituto Açoriano de Cultura.

 

Discografia Santos, A. (1963), O Folclore Musical nas Ilhas dos Açores. Antologia Sonora: Ilha de Santa Maria 1-12. Ponta Delgada, Instituto Cultural de Ponta Delgada. Id. (1965), O Folclore Musical nas Ilhas dos Açores. Antologia Sonora: Ilha de S. Miguel 1-7 (2ª campanha). Ponta Delgada, Instituto Cultural de Ponta Delgada.