Beja, duques de

O ducado de Beja nasceu com a doação deste título e senhorio, por D. Afonso V, ao Infante D. Fernando (1434-1470), irmão do rei, em Fevereiro de 1453 (Freire, 1930: 279). Filho adoptivo do Infante D. Henrique, recebeu deste, por carta de 22 de Agosto de 1460, as ilhas Terceira e Graciosa (Arquivo dos Açores, 1980: 10-13; Arruda, 1977: 129-131). Por morte do Infante D. Henrique, a 13 de Novembro de 1460, D. Fernando sucedeu-lhe nos títulos e honras e acumulou, por isso, o ducado de Viseu com o de Beja. A D. Fernando, falecido em 1470, sucederam-lhe os filhos, D. João, que morreu jovem, D. Diogo e D. Manuel, tendo os primeiros dois sido tutelados pela mãe, a Infanta D. Beatriz, durante o período da sua menoridade, que recobriu os anos de 1470-1483. D. Diogo pôde suceder a seu irmão, que morreu jovem e sem filhos, por carta de D. Afonso V de 4 de Agosto de 1471, o mesmo acontecendo com D. Manuel relativamente a D. Diogo, por mercê a este concedida por carta régia de 7 de Agosto de 1476 (Freire, 1930: 296). A 10 de Agosto de 1481 foi passada a D. Diogo uma nova carta de confirmação da doação de juro e herdade do senhorio de Beja e da Madeira, porque a primeira se perdera. Enquanto donatários dos Açores, a actuação dos duques de Beja revestiu-se de particular importância durante a tutela de D. Beatriz, pois o Infante D. Fernando prestou maior atenção ao arquipélago da Madeira, cujo povoamento tivera início em 1425, apesar de lhe terem sido doadas as ilhas de São Jorge, Terceira, Graciosa, São Miguel e Santa Maria, por carta régia de 3 de Dezembro de 1460 (Arquivo dos Açores, 1980: 14-15; Arruda, 1977: 145-146). Com efeito, será sob a direcção da Infanta D. Beatriz que terá lugar uma nova fase na ocupação humana das ilhas, com importantes alterações na estrutura então existente das capitanias. D. Diogo, chegado à maioridade, pouca intervenção teve no arquipélago, morrendo às mãos de D. João II, a 28 de Agosto de 1484. De D. Diogo conhecemos apenas duas cartas: uma, de doação e confirmação da capitania de São Jorge a João Vaz Corte Real, datada de 4 de Maio de 1483 (Arquivo dos Açores, 1981: 13-16; Arruda, 1977: 182-186); e outra, de confirmação de carta de sua mãe a Rui Gonçalves da Câmara, de 26 de Julho de 1483 (Arquivo dos Açores 1980: 105-106). Seu irmão, D. Manuel, herdaria a casa ducal de Beja, entre outros títulos, e o senhorio das ilhas atlânticas, que integraria na coroa após ascender ao trono. José Damião Rodrigues (Dez.1998)

Bibl. Arquivo dos Açores (1980-83), Ponta Delgada, Instituto Universitário dos Açores, I, III, XII. Arruda, M. M. V. (1977), Colecção de documentos relativos ao descobrimento e povoamento dos Açores. 2ª ed., Ponta Delgada, Instituto Cultural de Ponta Delgada. Ferreira, M. E. C. (1981), Manuel I, D. (1469-1521) In Dicionário de História de Portugal, Porto, Liv. Figueirinhas, IV: 156-161. Freire, A. B. (1930), Brasões da Sala de Sintra. 2ª ed., Coimbra, Imp. da Universidade, III. Santos, J. M. (1989), Os Açores nos Séculos XV e XVI. Angra do Heroísmo, Secretaria Regional de Educação e Cultura, II. Serrão, J. (1981), Fernando, D. (1433-1470) In Dicionário de História de Portugal, Porto, Liv. Figueirinhas, II: 556-557.