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Nome pelo qual são conhecidas as plantas da família das compostas pertencentes à espécie Chrysanthemum coronarium. Também são designadas pelo nome de pampilho (Palhinha, 1966). C. coronarium é caracterizada por terófitos glabros ou levemente pubescentes, de caules erectos de até 80 cm longos, ramosos, de folhas alternas, oblongas a ovadas, semiamplexicaules, na maioria bipenatipartidas com segmentos lanceolados ou oblongos, inciso-dentados, de capítulos hemisféricos, pedunculados e solitários, de invólucro de 12 a 18 mm de diâmetro, de brácteas involucrais bisseriadas, com margem escariosa cinzento-pálida, as externas ovadas, as internas lanceoladas com apêndice escarioso agudo, de receptáculo convexo sem brácteas interflorais, de flores marginais liguladas amarelas ou brancas de base amarela e femininas e de flores discais, hermafroditas e tubulosas amarelas de tubo cilíndrico e truncado na base, de aquénios com uma asa adaxial bem desenvolvida, os marginais com 2 asas laterais e com 3 costas finas na face abaxial, os discais lateralmente comprimidos, de 3 costas superficiais arredondadas nas faces laterais, todos revestidos de glândulas sésseis não mucilaginosas e de papilho nulo. Floresce e frutifica de Abril a Julho. As formas de lígulas totalmente amarelas constituem a var. coronarium e as formas de lígulas brancas e de base amarela pertencem à var. discolor. Nos Açores aparece entre 2 e 300 m de altitude em terrenos cultivados ou incultos, próximos do litoral, em associações antropocóricas. Tem sido assinalada a var. coronarium para a Terceira (Rocha Afonso, 1981, 1983; Franco, 1984) e a var. discolor para as Flores, Pico, S. Jorge, Graciosa, Terceira e S. Miguel (Rocha Afonso, 1981, 1983; Franco, 1984). Em 1843 foi, pela primeira vez, explicitamente indicada para as ilhas Terceira (Monte Brasil) e Faial, respectivamente, por Seubert e por Watson. Mais tarde, Drouët (1866) assinala esta espécie para o Pico do Fogo, S. Miguel. Parece que C. coronarium se terá expandido rapidamente depois de 1966 (Palhinha, cf. Sjögren, 1973), embora possa ter desaparecido de certos locais ou ilhas, como a do Faial (Franco, 1984). No entanto, Hansen e Sunding (1993) continuam a indicar esta espécie para aquela ilha. É originária da Região Mediterrânica e da Ásia sudocidental e terá sido introduzida como planta ornamental (Palhinha, 1966) ou como infestante nos milheirais nas Ilhas Macaronésicas, com excepção de Cabo Verde. A maior parte dos autores considera que a coloração das flores liguladas é variável, por isso não reconhecem quaisquer variedades em C. coronarium, e com tal opinião concordam a maioria dos botânicos que se têm ocupado da flora açórica (Palhinha, 1966; Pinto-da-Silva e Pinto-da-Silva, 1974; Hansen e Sunding, 1993), assim como Press (1994) para a flora madeirense. José Ormonde

Bibl. Drouët, H. (1866), Catalogue de la flore des îles Açores précédé de l’itinéraire d’un voyage dans cet archipel. Mémoires de la Société Académique de l’Aube, 30, 3: 81-233. Franco, J. A. (1984), Nova Flora de Portugal (Continente e Açores), vol. II: Clethraceae-Compositae. Lisboa, Sociedade Astória. Hansen, A. e Sunding, P. (1993), Flora of Macaronesia. Checklist of vascular plants. 4th revised ed. Sommerfeltia, 17: 1-295. Palhinha, R. T. (1996), Catálogo das Plantas Vasculares dos Açores. Lisboa, Sociedade de Estudos Açoreanos Afonso Chaves. Pinto-da-Silva, A. R. e Pinto-da-Silva, Q. G. (1974), Ferns and flowering plants of the Azores collected in May-July 1964 during an excursion directed by Prof. Pierre Dansereau. Agronomia Lusitanica, 36, 1: 5-94. Press, J. R. (1994), CVI. COMPOSITAE (ASTERACEAE). 28. Chrysanthemum L. In Press, J. R. e Short, M. J. (eds.) assisted by N. J. Turland, Flora of Madeira. Londres, The Natural History Museum: 353-354. Rocha-Afonso, M. L. (1981), Contribuição para o conhecimento da flora açórica. Anais do Instituto Superior de Agronomia, 40: 73-95. Id. (1983), Ibid. In Comunicações Apresentadas ao II Congresso Internacional Pró Flora Macaronésica (Funchal, 19-25 de Junho de 1977) Funchal: 81-94. Seubert, M. (1844), Flora Azorica. Bona. Sjögren, E. (1973), Recent changes in the vesicular flora and vegetation of the Azores Islands. Memórias da Sociedade Broteriana, 22: 1-453. Watson, H. C. (1844). Notes on the botany of the Azores. The London Journal of Botany, 3: 582-617.