begónia

Género da família das *begoniáceas (Begoniaceae) que engloba um grande número de espécies tropicais ou subtropicais na maior parte oriundas da América. Para facilitar a referência a este tão complexo grupo de plantas é costume dividi-las em sete grupos informais que se baseiam principalmente na sua forma de crescimento e necessidades culturais; as designações usadas são os nomes vulgares ou tradução livre do inglês.

Begónias caule de bambu Oriundas do Brasil; plantas perenes com a raiz fibrosa, folhas decorativas e cachos de flores brancas, rosa ou vermelhas. Os caules erectos ultrapassam frequentemente um metro e têm os nós espessos e salientes como os bambus; têm tendência para perder as folhas na parte inferior do caule, para as manter bonitas torna-se necessário podá-las na Primavera ou início do Verão a 2-3 nós; as pontas dos caules servem para reprodução; também se podem propagar por semente ou através das folhas. Não suportam a incidência directa dos raios solares, mas necessitam de boa luz.

Begónias rex-cultorum Derivam do cruzamento das begónias rex com outras espécies afins. Têm caule rizomatoso; as folhas de formas caprichosas e colorido muito variado são o principal atractivo desta planta; as flores surgem na Primavera, mas não são decorativas. Estas begónias preferem temperaturas de 21-24°C e, por essa razão, não é fácil conservá-las, nos Açores, durante o Inverno, se não tiverem aquecimento. Necessitam de boa 1uz, mas não toleram a incidência dos raios solares; as folhas vermelhas necessitam de mais luz para ficarem de cor mais intensa; as folhas cinzentas, com menos luz ficam com uma tonalidade metálica geralmente muito apreciada. A propagação pode fazer-se por sementes, pelas folhas ou por divisão dos rizomas.

Begónias rizomatosas Apresentam rizomas superficiais erectos ou prostrados e folhas que podem atingir os 30 cm, verdes ou acastanhadas, com marcas prateadas. Preferem temperaturas de 19°C e, por esta razão, são de cultura mais fácil nos Açores do que as anteriormente citadas. Necessitam de luz indirecta abundante e rega cuidadosa. Multiplicam-se por semente, por folha ou divisão do rizoma.

Begónias sempre em flor Têm raiz fibrosa, as folhas são verdes ou bronzeadas, as flores, singelas ou dobradas, são muito numerosas. Suportam o sol directo e são frequentemente cultivadas em jardins. Propagam-se por semente, por folha, por estaca terminal ou por divisão.

Begónias arbustivas Têm o aspecto de um arbusto compacto, com caules ramificados e folhas carnudas muito numerosas, por vezes compostas. Devem ser despontadas para incentivar a ramificação dos caules. Preferem temperaturas de 17ºC e boa luz, mas indirecta. Multiplicam-se por sementes, pelas folhas, pelos caules terminais ou por divisão.

Begónias tuberosas Derivam de espécies dos Andes, como a Begonia boliviensis, B. pearci, B. gracilis e B. veichii. Têm tubérculos dormentes durante o Inverno, quando devem ser conservados a 5-7°C. Na Primavera plantam-se num composto com boa drenagem e mantêm-se a 16-18°C. Apresentam folhas carnudas e brilhantes e flores, geralmente em grupos de três, duas femininas, pequenas, e uma central, masculina, muitas vezes dobrada. Pode prolongar-se a floração eliminando as flores femininas, geralmente pouco vistosas. O porte destas begónias pode ser erecto ou pendular; têm muitos subgrupos de difícil caracterização; propagam-se por semente, por estacas basais ou laterais e por vezes por bolbilhos.

Begónias com floração invernal Estão em flor durante todo o Inverno; são normalmente conhecidas por «begónias do Natal» e «begónias Rieger»; necessitam de temperaturas de 15 a 20°C, boa luz, baixa humidade, boa ventilação e composto com boa drenagem. A multiplicação faz-se por estacas basais na Primavera.

Nos Açores cultivam-se todos estes tipos de begónias, mas há uma grande preferência pela begónia rex-cultorum. As begónias são atacadas por fungos, como o oídio, o míldio, o botrytis (bolor cinzento) e podridões que atacam os caules, rizomas e tubérculos e ainda por numerosas pragas, como lagartas, afídeos, tripes, lesmas, caracóis e mosca-branca das estufas. Raquel Costa e Silva (Dez.1999)

Bibl. The Royal Horticultural Society A-Z Encyclopedia of Garden Plants (1996), Londres, Dorling Kindersley, Ltd., I: 162-169.