Beatriz, (D.), Duquesa de Beja e Viseu

Filha do Infante D. João, filho de D. João I, e de D. Isabel, filha de D. Afonso, conde de Barcelos, D. Beatriz veio a casar-se com o Infante D. Fernando. Após a morte do marido e durante a menoridade dos filhos, D. João e D. Diogo, assumiu, entre 1470 e 1483, a chefia da casa ducal de Viseu-Beja. No tocante ao arquipélago dos Açores, a sua actuação revestiu-se da maior importância, pois é com D. Beatriz que se inicia uma nova etapa no povoamento das ilhas. 1474 é, a esse respeito, um ano decisivo: a ilha Terceira foi dividida em duas capitanias, a da Praia doada a Álvaro Martins Homem e a de Angra a João Vaz Corte Real, solucionando-se, deste modo, os problemas que se haviam levantado com a morte de Jácome de Bruges (Arruda, 1977: 163-165 e 173-176; Maldonado, 1989: 88-97); e realizou-se a venda da ilha de S. Miguel, à data escassamente povoada, feita por João Soares a Rui Gonçalves da Câmara e confirmada por carta de D. Beatriz de 10 de Março desse ano (Arruda, 1977: 166-172). Para além destes diplomas, que marcam o arranque definitivo na ocupação das duas principais ilhas açorianas, D. Beatriz produziu ainda um regimento para as dadas de terras em regime de sesmaria (Arquivo dos Açores, 1983: 385). Ao sair de cena, D. Beatriz deixava ao filho, o duque D. Diogo, um senhorio cujos frutos surgiriam ainda em finais do século XV e de que beneficiaria já D. Manuel, duque de Beja e, a partir de 1495, rei de Portugal. José Damião Rodrigues (Dez.1998)

Bibl. Arquivo dos Açores (1980-1983), Ponta Delgada, Universidade dos Açores, I, XII. Arruda, M. M. V. (1977), Colecção de documentos relativos ao descobrimento e povoamento dos Açores. 2ª ed., Ponta Delgada, Instituto Cultural de Ponta Delgada. Maldonado, M. L. (1989), Fenix Angrence. Angra do Heroísmo, Instituto Histórico da Ilha Terceira, I.