batráquios
Nome anteriormente atribuído aos anfíbios* (Classe Amphibia), que conjuntamente com outros grupos, como as lampreias, os peixes cartilagíneos, os peixes ósseos, os répteis, as aves e os mamíferos, constituem o subfilo dos vertebrados (Walker e Liem, 1994). Os anfíbios actuais englobam as rãs e os sapos (Ordem Anura) e os tritões e as salamandras (Ordem Urodela), com o esqueleto relativamente firme e quatro patas bem desenvolvidas, assim como algumas espécies ápodes (Ordem Apoda). Os adultos possuem orgãos sensoriais adaptados ao ambiente terrestre, bem como pulmões, uma vez que as brânquias, que permitem às larvas absorver o oxigénio da água, desaparecem com a metamorfose. A pele fina, húmida, e vascularizada destes vertebrados tem igualmente função respiratória. Os batráquios estão bem adaptados à vida em charcos e cursos de água, em florestas e outros habitats húmidos. Algumas espécies vivem no deserto, mantendo-se inactivas durante os períodos de seca (estivação), e desenvolvendo-se durante os curtos períodos de chuva. A maior parte dos batráquios reproduz-se na água e apresenta uma fase larvar aquática. Muitas espécies podem, no entanto, depositar os ovos em terra, em locais muito húmidos. São animais ectotérmicos, ao contrário das aves ou dos mamíferos, não regulam a temperatura do corpo. Quando a temperatura ambiente é demasiado baixa, algumas espécies abrigam-se, reduzem a actividade metabólica e entram em hibernação, sobrevivendo à custa das reservas acumuladas.
Nos Açores encontram-se populações naturais de duas espécies de anfíbios introduzidos, a rã*, Rana perezi (Ranidae) e o tritão de crista* (lagarto d'água), Triturus cristatus carnifex (Salamandridae). Foram também, ocasionalmente, capturados alguns exemplares de duas espécies de salamandra na ilha de S. Miguel, Salamandra salamandra (Salamandridae) e Pleurodeles waltl (Salamandridae), ambas introduzidas. No entanto, nunca se encontraram populações naturais de salamandra.
A rã terá sido introduzida na ilha de São Miguel em 1820 (Chaves, 1949), encontrando-se actualmente em todas as ilhas dos Açores (Legrand, 1993). O tritão de crista, que não existe na Península Ibérica (Burton, 1987), foi referenciado pela primeira vez por Svanberg (1975) para a ilha de S. Miguel, a partir de exemplares capturados em 1922. Em trabalhos recentes (Malkmus, 1995) esta subespécie foi elevada à categoria específica - Triturus carnifex. O tritão de crista encontra-se na parte central da ilha de S. Miguel, entre a vertente ocidental da Serra de Água de Pau e a bacia da Lagoa das Furnas, em charcos e tanques utilizados na pecuária, e também em algumas lagoas (Machado, 1992; Id., 1997; Machado et al., 1997; Silva et al., 1997). Na Europa é um dos urodelos mais ameaçados. Luís Silva, Rui Elias e Emanuel Machado (Mai.1998)
Bibl. Burton, A. (1987), Guia de campo de los Reptiles y Anfíbios de España y de Europa. Ediciones Omega: 43-46. Chaves, F. (1949), Introdução de algumas espécies zoológicas na ilha de São Miguel depois da sua descoberta. Conferência realizada no dia 14 de Janeiro de 1909. Açoreana, 4 (4): 325-342. Legrand, G. (1993), Recherches sur l'écologie des vertébrés de l'Archipel des Açores. Université de Montpellier: 44. Machado, E. (1992), O tritão de crista em São Miguel. Vidália, 10: 4-5. Id. (1997), O tritão de crista em São Miguel. Ponta Delgada, Amigos dos Açores. Machado, E., Silva, L. e Elias, R. (1997), Distribution of Triturus cristatus carnifex (Amphibia: Salamandridae) on São Miguel island (Azores). Arquipélago, Life and Marine Sciences, 15A. Malkmus, R. (1995), Die Amphibien und Reptilien
