bateria (militar) ou bataria

Chama-se bateria a uma unidade elementar de artilharia, de escalão companhia, constituída por determinado número de bocas de fogo. Dá-se também o nome de bateria às obras de fortificação armadas com peças de artilharia que podem fazer fogo a barbete ou em canhoneiras (designação tardia) ou a posições fortificadas defendidas com peças anti-aéreas ou contra-navios. Finalmente, apelida-se de bateria o local de um forte onde se situam as bocas de fogo.

As unidades de artilharia nos Açores ou destacadas no arquipélago foram as seguintes:

2ª Bateria Destacada, organizada pelo decreto de 13.1.1837. Esta unidade deu sucessivamente origem, pelo decreto de 23.7.1894, à Companhia de Artilharia de Guarnição de Ilha de S. Miguel que, reorganizada em 11.12.1869, passou a Companhia de Artilharia de Guarnição; em 29.11.1901 passou a designar-se por Bateria nº 2 de Artilharia de Guarnição; pelo decreto de 8.6.1911, por Bateria de nº 2 de Artilharia de Montanha; em 1926, pela Ordem do Exército (O.E.) nº 16 – 1ª série passou a Bateria de Artilharia de Defesa Móvel de Costa nº 2; pela O.E. nº 16 – 1ª série  (1930), a Bateria Mista de Artilharia de Costa de Ponta Delgada; em 1931 passou, por via da O.E. nº 8 – 1ª série, a Bateria de Salvas e, na O.E. nº14 do mesmo ano, a 3ª Bateria de Artilharia. Reorganizada em 1932 pela O.E. passou a chamar-se Bateria de Artilharia de Defesa Móvel de Costa nº3; em 1939 a designação foi alterada pela O.E. Nº 7 – 1ª série para Bateria Independente de Defesa de Costa. Estas unidades estiveram todas sediadas no Forte de S. Braz (S. Miguel). A partir de 1947, as unidades de guarnição de artilharia passaram à categoria de «batalhão» e a ter sede em Belém, com a constituição do Grupo de Artilharia de Guarnição nº 1 que, em 1948, passou a Grupo de Artilharia de Guarnição de Ponta Delgada. Em 1969, através da Portaria 18064 de 15 de Novembro a artilharia de guarnição voltou a ser de escalão «companhia» com a criação da Bateria de Artilharia de Guarnição nº 1, que foi extinta em 1981.

3º Bataria Destacada, organizada pelo decreto de 13.1.1937. Pelo decreto de 23.12.1868 passou a designar-se por Companhia de Artilharia de Guarnição da Ilha Terceira e pelo decreto de 11.12.1869 passou a Companhia nº 1 de Artilharia de Guarnição. Em 1901, pelo Dec. de 29 de Novembro, passou a chamar-se Bateria nº 1 de Artilharia de Guarnição que em 1911, pelo decreto de 8 de Junho, se transformou em Bateria de Artilharia de Montanha; pela O.E. de nº15 – 1ª série (1926) passou a Bateria de Defesa Móvel de Costa nº 1. Esta unidade foi organizada pela O.E. nº 14 – 1ªsérie (1931) com o nome de 2ª Bateria de Artilharia (Salvas); em 1932, esta unidade deu origem à Bateria de Artilharia de Defesa Móvel de Costa nº 2 conforme a O.E. nº 11– 1ªsérie. Esta última unidade foi extinta pela O.E. nº 7 – 1ª série (1939) e foi a última unidade de guarnição de artilharia da ilha Terceira. Todas as unidades citadas foram sediadas em Angra do Heroísmo.

Bateria Independente de Defesa de Costa nº 3, organizada pela O.E. nº 7 – 1ª série (1939) que, pela O.E. n º 8 – 1ª série (1947) passou a designar-se por Bateria Independente de Defesa de Costa nº 1, sediada na Horta.

Durante a 2ª Grande Guerra Mundial foram mobilizadas as unidades de artilharia de escalão «companhia» seguintes:

Para S. Miguel, a Bateria Ligeira 7,5 cm (peças de calibre 7,5 cm) mobilizada pelo Regimento de Artilharia Pesada nº 1 (Lisboa) e estacionada na Fajã de Baixo; a 5ª Bateria de Artilharia Anti-Aérea (AA) 9,4 cm, mobilizada pelo Grupo de Artilharia AA Nº 1 (Cascais) e estacionada em Belém; a 9ª Bateria de Artilharia AA 9,4 cm, mobilizada pelo Grupo de Artilharia AA nº1 (Cascais) e situada na Corujeira (Relva); a 1ª Bateria de Artilharia AA 7,5 cm, mobilizada pelo Grupo de Artilharia AA nº 1 (Cascais), estacionada em Rabo de Peixe; a 1ª Bateria de Artilharia AA 40 mm, mobilizada pelo Grupo de Artilharia AA nº 2 (Abrantes), estacionada em Rabo de Peixe e a 4ª Bateria de Artilharia AA 40 mm, estacionada em Ponta Delgada e mobilizada pelo Grupo de Artilharia AA nº 2 (Abrantes).

Para a Terceira, a 1ª Bateria de Artilharia Ligeira 7,5 cm, mobilizada pelo Regimento de Artilharia Ligeira nº1 (Lisboa), estacionada primeiro na Praia da Vitória e depois em Nasce Água; a Bateria de Artilharia de Montanha 7,5cm, mobilizada pelo Grupo Independente de Artilharia de Montanha (Viseu), estacionada em Angra e Praia da Vitória; a 3ª Bateria de Artilharia AA 9,4 cm, mobilizado pelo Grupo de Artilharia AA nº1 (Cascais), estacionada em Angra; a 5ª Bateria de Artilharia AA 40 mm, mobilizada pelo Grupo de Artilharia AA nº 2 (Abrantes), estacionada em Angra; a 2ª Bateria de Artilharia AA 40 mm, mobilizada pelo Grupo de Artilharia AA nº 2 (Abrantes) e estacionada na região do Cruzeiro das Lages e a 2º Bateria de Artilharia AA 7,5 cm, mobilizada pelo Grupo de Artilharia AA nº1 (Cascais).

Para o Faial, a Bateria de Artilharia Ligeira 7,5cm/917, mobilizada pelo Regimento de Artilharia nº 2 (Coimbra), estacionada na região dos Flamengos; a Bateria de Artilharia AA 9,4 cm, mobilizada pelo Grupo de Artilharia AA nº 1 (Cascais) e posicionada no Monte Carneiro e a Bateria de Artilharia AA 40 mm, mobilizada pelo Grupo de Artilharia AA nº 1 (Abrantes), estacionada na cidade da Horta.

As posições fortificadas dotadas com peças de artilharia e designadas como baterias que foram construídas como obras complementares nas fortalezas ou perímetros fortificados nos Açores foram as seguintes:

Perímetro fortificado do Monte Brasil (Terceira) Em 1830, no lado Poente do Monte Brasil, no flanco sobre a baía do Faial e no fim do caminho de S. Diogo, foram construídas duas baterias, desenhadas pelo engenheiro José Dionísio Serra, denominadas, uma Bateria da Constituição, junto à rocha escarpada a 19 m acima do nível do mar, com 8 canhoneiras rasgadas em resistente parapeito de pedra argamassada, e outra Bateria da Fidelidade, situada acerca de 14 m acima do nível do mar, com 13 canhoneiras. Estas baterias foram quase completamente destruídas pelo ciclone que, em 28 de Agosto de 1893, assolou a ilha Terceira.

Fortaleza de S. Sebastião ou Castelinho (Terceira) Em 1830, no lado Sul, sobranceira à água, foi adicionada à fortaleza uma bateria chamada da Heroicidade, construída debaixo da direcção do engenheiro José Dionísio Serra, por ordem da regência.

Fortaleza de S. Braz (S. Miguel) Em 1817, sob a direcção do major de engenharia Francisco Borges da Silva foram construídas três baterias rasantes, exteriores, denominadas «Príncipe Regente», «Príncipe de Bragança» e «Ponta Delgada». Sobre esta última veio mais tarde a construir-se um mastro de sinais, servindo a bateria de quartel a um posto da Guarda Fiscal. Foi demolida na década de 80.

Na 2ª Grande Guerra foram construídas as posições fortificadas permanentes para artilharia de costa e anti-aérea seguintes:

No Faial, a posição fortificada enterrada do Monte da Guia guarnecida com duas peças de costa Armstrong, de 15 cm; a posição fortificada enterrada e acasamatada da Espalamaca com duas peças de costa Armstrong, de 15 cm; a posição fortificada do Monte Carneiro dotada de uma bateria semi-fixa com 4 peças AA de 9,4 cm m/40 de origem inglesa. Estas posições ainda existem, encontrando-se presentemente desactivadas e em boa parte degradadas.

Na Terceira, a posição fortificada do Monte Brasil guarnecida com uma bateria AA semi-fixa com 4 peças de 9,4 cm m/40 de origem inglesa. Esta posição, hoje desactivada, ainda existe encontrando-se em razoável estado de conservação.

Em S. Miguel, a posição fortificada enterrada e acasamatada da Castanheira, dotada de 3 peças de material CTR de 15 cm m/97 (Krupp) com a missão principal de defesa próxima do Porto de Ponta Delgada; a posição fortificada de Belém, dotada de uma bateria semi-fixa de 4 peças AA de 9,4 cm m/40 e a posição fortificada da Corujeira (Relva), guarnecida com uma bateria semi-fixa de 4 peças de 9,4cm m/41. A posição da Castanheira está desactivada mas ainda existe com o seu material, enquanto que a de Belém foi em parte demolida e a da Corujeira desapareceu para dar lugar à ampliação do actual aeroporto de Ponta Delgada. Refira-se que, na 1ª Grande Guerra Mundial foram executadas obras para instalação de uma bateria com material fixo de Marinha Armstrong, de 10 cm, no Alto da Mãe de Deus e que, por iniciativa do Almirante Dunn, comandante da Base Naval dos Estados Unidos, em Ponta Delgada, foram fornecidas duas peças de costa de 17,5 cm, tendo sido executada uma plataforma fixa em betão na proximidade do Forte de Santa Clara, com o intuito de proteger a cidade dos ataques dos submarinos alemães, e outra, a sul da base do Pico do Vigário, para defesa da estação telegráfica sem fio, inglesa.

Entre os locais das fortalezas onde se instalaram bocas de fogo e cuja memória perdurou até hoje, conta-se o do Baluarte da Boa Nova, na Fortaleza de S. João Baptista, na face virada à baía de Angra, onde esteve a Bateria de D. Pedro IV. Nesta fortaleza e na primeira parte da cortina a seguir àquele baluarte, foi instalada a Bateria de D. Maria II. A sul desta bateria e a seguir à casamata ali existente está a denominada Bateria de Malaca, por ter sido aí que os espanhóis montaram a célebre peça «Diu» ou «de Malaca», de bronze, com 36 libras de calibre e 27 palmos e 9 polegadas de comprimento. Esta peça encontra-se hoje no Museu Militar, em Lisboa. José Carlos Cymbron (Mar.2000)

Bibl. Botelho, J. J. T. (1944), Novos Subsídios para a História da Artilharia em Portugal. Lisboa, Comissão de História Militar, I-II. Cordeiro, J. M. (1985), Apontamentos para a História da Artilharia Portuguesa. Lisboa. Lima, M. C. B. (1983), Notícia sobre o Castelo de S. Braz de Ponta Delgada In Livro do II Congresso dos Monumentos Militares Portugueses. Lisboa, Associação Portuguesa dos Amigos dos Castelos: 195-207. Machado, E. (1959), Recordando. Nas duas Guerras Mundiais. Lisboa, Liga dos Combatentes da Grande Guerra. Melo, S. (1939), O Castelo de S. João Baptista da Ilha Terceira e a Restauração de 1640. Angra do Heroísmo, ed. do autor. Meneses, M. S. (1988), A Defesa dos Açores durante a II Grande Mundial. Lisboa, Estado-Maior do Exército. Perbellini, G. (1971), Le Fortificazione delle Isole di São Miguel e Terceira nell`Arcipelago delle Açores. Sep. de Castellum, Roma, 13 : 5-30. Pereira, R. A. (1947), Monumentos Histórico-Militares Micaelenses. Insulana, III, 2: 187-222. Supico, A. C. (1982), O Castelo de S. Braz. Arquivo dos Açores, Ponta Delgada, IX: 160-182.