batata-doce
Nome vulgar de Ipomaea batatas (Convolvulaceae). Ipomaea provém do grego Ipo, lombriga, e homoios, semelhante. A designação de batata-doce aplica-se tanto à planta como aos tubérculos que produz. De origem tropical, esta planta encontra-se largamente difundida pelas regiões tropicais e subtropicais.
Já se cultivava em S. Miguel e Terceira no século XVI, sendo um alimento muito apreciado para pessoas e animais. As pessoas comiam os tubérculos maiores, os porcos comiam as rabiças, e a rama ainda servia, por vezes, para alimentar o gado bovino. Mas foi a criação da indústria do *álcool extraído da batata-doce, por iniciativa de Henrique de Castro, na ilha Terceira, que fez crescer esta cultura ao ponto de se tornar a mais importante dos Açores. Existiram cinco fábricas, duas na Terceira e três em S. Miguel. Em 1903 foi publicada uma lei proibindo a entrada no Continente do álcool de batata-doce fabricado nos Açores, como medida de protecção da vitivinicultura em Portugal continental. Foi sem dúvida um rude golpe na economia açoriana. No entanto, segundo estimativa de Crispim Batista, em 1946 a colheita de batata-doce, nos Açores, deveria atingir as 40000 toneladas (Batista, 1946). Por essa altura ainda em S. Miguel se laboravam 10000 toneladas para álcool, fécula e doçaria. Perdida a sua importância como base de indústria, a sua produção foi drasticamente reduzida, mas continua a ser um alimento muito apreciado nestas ilhas.
Planta perene cu1tivada como anual. Geófito com raízes tuberosas doces, comestíveis e caules de 2-3 m, geralmente prostrados e radicantes. Folhas de limbo ovado, inteiro a 3-5 (-7) lobado, truncado, cordiforme ou alabardino. Inflorescência 1-pauciflora, flores com corola com 30-50 mm, branca ou violácea a purpúrea. Algumas variedades cultivadas nos Açores não dão flor.
A propagação da batata-doce, nos Açores, faz-se vegetativamente, em canteiros, nos quais se produz o plantio a partir dos tubérculos. Esta operação exige a desinfecção do solo que se praticava com formalina (½ l em 20 l de água para 1 m2 de canteiro). A terra regada cobria-se durante dois dias e a seguir deixava-se arejar oito dias. Hoje existem no mercados numerosos produtos que podem ser usados nesta operação. As batatas para o viveiro devem provir de uma plantação sã e serem de tamanho pequeno ou médio. É necessário proceder à desinfecção que se praticava mergulhando-as numa solução de sublimado corrosivo a 1/1000 durante 5 a 10 minutos, passando-as seguidamente por água limpa. Também para esta operação existem hoje outras alternativas.
A forma ideal de cultura consiste em usar para plantio a parte terminal dos baraços com 30 cm de comprimento. A preparação do terreno é idêntica à do milho. É uma cultura exigente, onde a rotação é indispensável, por ser muito sensível a podridões e nemátodos. Necessita de matéria orgânica proveniente do enterramento de outonos ou estrume bem curtido, que se deverá efectuar um mês antes da plantação, além de adubação com azoto, fósforo e potássio. A plantação faz-se em linhas distanciadas de 75 cm. O enraizamento da parte inicial dos baraços favorece a produção, pelo que devem evitar-se os sachos tardios. A colheita só deverá ser praticar quando os tubérculos estiverem bem maduros, ou seja, quando se cortarem e não correr seiva, ser cuidadosa, sem cortes nem pancadas, o que é essencial para uma boa conservação. Após a colheita é necessária uma cura a 27-29°C durante 4 a 7 dias, o que nem sempre é fácil nos Açores. Noutros tempos arrumava-se perto do forno e do lume de lenha antes de ir para o armazém. O local de armazenamento deve ser desinfectado, ter boas condições de arejamento, temperatura de 13 a 16°C e humidade entre 85 e 90%. Conserva-se bem durante 140 dias ou mais.
Também é cultivada como ornamental, pendurada e dentro de um recipiente com água, tornando-se numa trepadeira muito vicejante, embora de curta duração.
Excelente alimento, saboroso e rico em hidratos de carbono e vitamina A, é ingrediente indispensável em várias sopas, nomeadamente na sopa azeda, onde é cozida com abóbora e feijão, levando sopas de pão e um pouco de vinagre, de onde o nome de azeda; entra também nas sopas de funcho. É frequentemente usada cozida para acompanhar pratos de peixe ou carne. Frita ou assada constitui apreciada guloseima, sendo também usada na confecção da *batatada. Raquel Costa e Silva (Dez.1999)
Bibl. Batista, C. (1946), A batata doce. Boletim da Comissão Reguladora dos Cereais do Arquipé1ago dos Açores, Ponta Delgada, 3, 1° semestre: 68-72. Franco, J. A.(1984), Nova Flora de Portugal (Continente e Açores). Lisboa, II: 100. The Royal Horticultural Society Diccionary of Gardening (1992), Londres, II: 662-663.
