batata

1 Nome vulgar de Solanum tuberosum (Solanaceae). Atribui-se a designação de batata tanto aos tubérculos como à planta que os produz, ou seja, à batateira. Originária das terras altas dos Andes, partilhadas pelo Peru, Equador, Colômbia e Bolívia. Actualmente encontra-se disseminada por todo o mundo agrícola.

A batata foi cultivada pelos Incas durante mais de 2000 anos, antes da chegada dos Espanhóis, no século XVI, que reconheceram a importância destes tubérculos e os trouxeram para Espanha. Foi difícil a sua introdução na dieta alimentar dos europeus, que temiam comer tudo o que se criava debaixo da terra. Na Escócia, Irlanda e países nórdicos, esta cultura instalou-se e ela se deve o fim da fome que grassava nessas regiões da Europa. Em Portugal, chegou com as Invasões Francesas. Nos Açores, a sua cultura teve início no século XVIII, quando os primeiros tubérculos chegaram vindos de Inglaterra, com a qual os Açores mantinham nesse período intensas trocas comerciais.

Planta perene que é geralmente cultivada como anual. Esparsamente  pubescente, com estolhos subterrâneos terminados por tubérculos mais ou menos grossos, as batatas. Caules aéreos com 30-80 (-150) cm, anuais, erectos, ramosos, suculentos e alado-costados. Folhas interrompidamente penati-sectas com 3-5 (-7), pares de segmentos ovado-cuspidados, entremeados com outros menores, desiguais, ovado a orbiculares. Flores com corola orbicular a pentagonal com diâmetro de 25-30 (-40) mm, branca a purpúrea ou azul a violácea, reunidas em cimeiras multifloras. O fruto é uma baga com 20­-40 mm, subglobosa, esverdeada a purpurascente, venenosa.

Sendo a batata sensível a nemátodos, insectos, fungos, bactéria e vírus, a sua produção em grande parte depende da obtenção de uma boa semente. Entende-se por uma boa semente, batata com as dimensões de ovo de galinha aproximadamente, para serem semeadas inteiras, isentas de infecções e pragas que possam trazer problemas e da variedade pretendida. A produção de microtubérculos in vitro a partir dos quais se obtém a batata de semente, já é um facto e oferece boas perspectivas, mas ainda não se generalizou. A maior parte ainda se produz nos moldes tradicionais. Nos Açores, há um projecto em curso na ilha de S. Miguel desde 1985 para produção de batata de semente para abastecimento do arquipélago e exportação, apoiado pela Secretaria Regional de Agricultura e Pescas. Na campanha de 1997-98, a produção total certificada foi de 341,8 t. A importação de batata de semente na região foi de 994 t, proveniente do Reino Unido, Irlanda e Holanda.

A importação da batata de consumo tem tido grandes variações. Os países de origem têm sido o Reino Unido, a Dinamarca e Holanda. Em 1997, a quantidade de batata de consumo importada foi de 132,8 toneladas (com. pessoal). Nestas ilhas, a batata cultiva-se, frequentemente, em rotação com a pastagem ou o outono, aproveitando a terra provida de matéria orgânica em consequência do apascentamento directo dos bovinos e resíduos das culturas. É uma cultura exigente que necessita de terra fértil, funda, com boa drenagem, boa textura e bem mobilizada. Semeia-se em linhas distanciadas de 35-45 cm, colocando-se os tubérculos em linha a aproximadamente 35 cm, mas há variações. Sachos e amontoas são amanhos indispensáveis. A aplicação de herbicidas é ainda pouco frequente. Cultiva-se em todas as ilhas. As variedades mais cultivadas, em 1997, foram Arran Banner e Desirée. S. Miguel é a ilha que dedica maiores áreas a esta cultura e possui também melhores instalações para a sua conservação. No entanto, são muitas ainda as casas de lavoura que guardam as suas batatas para consumo da família. A aplicação de anti-brolhantes está bastante generalizada e tem ajudado a conservar os tubérculos, mas a base insubstituível da boa conservação, como todos os lavradores sabem, é o bom estado sanitário da cultura e os cuidados na colheita, transporte e armazenamento.

A batata tem larga utilização culinária e grande consumo. É também a base de importantes indústrias como a fécula, a batata frita, batata pré-cozinhada, puré instantâneo e vodca. O número de cultivares é muito grande e a investigação continua a procurar novas variedades que se adaptem a diferentes condições climáticas, resistentes a doenças e pragas e com as qualidades sápidas e de textura desejada. Raquel Costa e Silva (Dez.1999)

2, s. Termo para designar uma mentira. Cf: «Que grande batata tu lhe disseste!». João Saramago e José Bettencourt (Jul.2000)

Bibl. Franco, J. A. (1984), Nova Flora de Portugal (Continente e Açores). Lisboa, II: 203. Malveiro, A. (1991), II Jornadas Agronómicas Açorianas. Ponta Delgada: 103. Semjonow (1945), Las Riquezas de la Tierra. Barcelona: 75-83. The New Roya1 Horticultural Society Dictionary of Gardening (1992), Londres, III: 693-695.