Barros, Simão de

[Séc. XVI] Natural da ilha Terceira, dominicano, predicador, veio a ser grande solicitador dos negócios de D. António, Prior do Crato. Foi a França, na companhia de Fr. João do Espírito Santo, tendo depois escrito a Catarina de Médicis, mãe de Henrique III, rei de França (Angra, 27.9.1581), a agradecer o prestimoso envio do capitão António Escalin, pelo que os de Angra lhe estavam muito gratos e pela estadia deste na ilha Terceira. Fr. Simão foi a alma do movimento contra Ciprião de Figueiredo, cujas atitudes levavam a crer que encabeçava um grupo de filipistas que solicitavam ao rei de Castela o envio de uma forte esquadra no mês de Janeiro de 1582, para guardar os mares e impedir a chegadas de reforços inimigos à ilha rebelde, onde estalou uma intentona, em fins de Outubro de 1581. O grupo era formado pelos denominados «os roedores» que organizaram a revolta para destituir do seu cargo o referido governador Figueiredo - acusado de traição, também ele um adepto de Filipe II - fazendo-o substituir por Gaspar Dias Montezinos, que viera nos navios ingleses mandados pelo rei D. António. Escreveu à rainha Isabel (Angra, 13.10.1581) e a Sir Francis Drake (Angra, 14.10.1581), pelo notável auxílio da Inglaterra, e ao secretário Walsinghan (Angra, 20.12.1581). De Angra partiu com muitos soldados, servindo a Pero Peixoto da Silva e todos a D. António, Prior do Crato, no ano de 1582, chegando à ilha de S. Miguel para levar a populaça a segui-los num patriótico e derradeiro acto que nunca se efectivaria a conselho dos Franceses, então, aí chegados também. Foi preso pelos Castelhanos, ficando em clausura, no reino vizinho, logo após a conquista dos Açores, pelo Marquês de Santa Cruz. João Silva de Sousa (Dez.1998)

Bibl. Archivo dos Açores (1880-90), Ponta Delgada, II: 399-402, IV: 242, 313-314; XI: 335-336. Calendar of State papers, Foreign series, of the reign of Elizabeth, XV: 338-339, doc. 366. Frias, P. (1955), Crónica Del-Rei D. António. Coimbra: 62, 72-73, 77. Quadro Elementar das relações politicas e diplomaticas de Portugal com as diversas potencias do mundo, desde o principio da Monarchia Portuguesa ate aos nossos dias, Paris, J. P. Aillaud, XV: 339-340, doc. 367, XVI: 173-175. Serrão, J. V. (1956), O Reinado de D. António Prior do Crato. Coimbra, I: 321, 357 n. 140, 359, 361 n. 153, 362-364 n. 169.