barro

Termo comum usado para designar materiais de composição argilosa que, quando misturados com proporções certas de água, adquirem características plásticas. A capacidade de ser moldável determina a sua utilização em olaria.

Nos Açores o barro foi explorado essencialmente na ilha de Santa Maria desde praticamente o início do povoamento. Aqueles materiais foram utilizados por oleiros da ilha para a produção de louça de barro vermelho e para fornecer olarias de S. Miguel e Terceira como descreve Raúl Brandão (1926) em As ilhas desconhecidas: «É aqui que os barcos de três velas vêm buscar o barro em bolas, para S. Miguel fabricar grandes talhas, canecas porosas, vasilhas de todas as formas e feitios. Santa Maria não só fornece os oleiros dos Açores mas fabrica também cântaros, púcaros, caboucos, numa ruazinha escondida da vila».

Também os cronistas açorianos se referem à existência de barro em Santa Maria. Por exemplo na História Insulana escreve António Cordeiro (1717):  «Andando mais dous tiros de arcabuz [para oeste do Figueiral] ... estão duas furnas ... [de onde] se tira della hum barro cinzento, tam macio, & tam fino, como sabão»  e ainda «Em algumas partes a terra que tem he tudo barro vermelho, & esteril para fruto; porèm para louça he excellente, & da tal louça se provè a dita Ilha, & dà provimento della a S. Miguel, & ainda á Ilha Terceyra».

O barro de Santa Maria resulta de intensa alteração de rochas basálticas (derrames e materiais piroclásticos) que, nalguns locais, se encontram completamente argilitizadas. Os minerais argilosos que constituem os barros são provenientes da transformação, por hidrólise e carbonatação, dos feldspatos que constituem as rochas basálticas, enquanto que a sua cor vermelha provém da oxidação de minerais ricos em ferro.

O elevado grau de alteração apresentado por algumas rochas de Santa Maria está, por um lado, relacionado com a idade das rochas da ilha, mais antigas que no resto do arquipélago e, por outro, com as condições climáticas a que estiveram expostas durante aquele tempo. José Madeira (2002)