Barreto

GENEALOGIA Da ilha Terceira – Descendem de Guilherme Moniz Barreto, o Velho, filho de Henrique Moniz, alcaide-mor de Silves, e de sua segunda mulher, D. Inês, filha de Gonçalo Nunes Barreto, alcaide-mor de Faro. Embora com varonia Moniz, estes Barretos descendem por linha feminina do tronco do apelido.

Guilherme Moniz Barreto, o Velho, casou na ilha Terceira com D. Joana Vaz Corte-Real, filha de João Vaz Corte-Real, 1º capitão do donatário de Angra. Guilherme Moniz Barreto e sua mulher instituíram a capela de Santo António, na Igreja do Convento de S. Francisco, em Angra, onde foram sepultados. O casal teve dois filhos e duas filhas. O primogénito, Sebastião Moniz, o Velho, casou com sua prima D. Joana de Meneses e deles ficou larga descendência ligada, entre outros, aos Coutos, Sampaios, Barcelos, Pamplonas, Pachecos, Câmaras, Noronhas e Borges, com geração actual.

O secundogénito, Baltasar Moniz Corte-Real, casou duas vezes e da segunda mulher, D. Maria Pais da Cunha, teve D. Maria da Cunha, que viria a casar com Diogo de Mendonça, governador do Brasil. Deste casal, através dos condes de Val de Reis, descendem os duques de Loulé, condes da Azambuja, Belmonte, Linhares e S. Martinho, bem como os marqueses do Funchal e muitas outras famílias da nobreza continental, como os Sousa Cyrne de Madureira. Das filhas, a mais velha, Dona Inês Moniz Barreto, casou com Rui Gomes da Grã, sem geração, e a mais nova foi freira Bernarda em Tavira .

De S. Miguel – As fontes micaelenses referem ter-se fixado em S. Miguel, nos finais do século XV, Gonçalo Moniz Barreto, natural das Astúrias e casado em Sevilha com Maria Fernandes Sanchez. Este povoador terá recebido dadas de terra por intermédio do 4º capitão do donatário, João Rodrigues da Câmara.

Contemporâneo aproximado de Guilherme Moniz Barreto acima mencionado, não consta ter sido seu irmão, nem tão pouco descendente de Afonso Teles Barreto e de sua mulher, D. Grimaneza Pereira (Moniz), outra ligação coeva entre Barretos e Monizes. Sublinhando que não existe notícia de que nenhum dos descendentes próximos conhecidos deste casal tenha usado o apelido Barreto admite-se, até prova em contrário, que o “Barreto” atribuído a este povoador tenha sido adicionado por linhagistas que o confundiram com os Monizes Barretos da ilha Terceira. Neste entendimento, e com a ressalva do provisório a que a genealogia obriga, parece mais correcto individualizar esta linhagem micealense como Monizes – de Gonçalo Moniz. Entre a sua descendência actual contam-se os Pereira d’Atayde Soares de Albergaria.

De S. Jorge – As genealogias jorgenses, estribando-se em Gaspar Frutuoso, referem o povoador Pero Eanes de Valença, que recebeu dadas de terreno na Ribeira da Areia onde se radicou, já no século XVI, com sua mulher Isabel Casado Barreto. Como hipótese de trabalho identifica-se esta senhora com a Isabel Casado, irmã de Gaspar Casado que viveu e exerceu cargos na ilha Terceira em época aproximada, ambos filhos de Afonso Casado e Maria Eanes de Meireles, de Ponte de Lima, e netos paternos de Martim Casado, juiz ordinário de Viana do Minho, eleito em 1497, e de sua mulher Catarina Eanes Maciel. Por esta ascendência é admissível, apenas em teoria, que possa existir alguma ligação com os Barretos Velhos de Viana. A proximidade da origem geográfica de Pero Eanes de Valença e da sua mulher, e a disseminação do apelido Maciel na ilha de S. Jorge poderiam não ser apenas coincidência fortuita. Mas é inquestionável que o apelido Barreto aparece em descendentes deste casal que figuram, pelo menos, nos mais antigos registos paroquiais da Vila do Topo que chegaram até nós, de meados da década de 1620. Manuel Lamas (Mar.2000)

HERÁLDICA De arminhos, pleno. Timbre: busto de donzela, vestida de arminhos, com os cabelos soltos de ouro. Luís Belard da Fonseca (2000)