bardana-menor
Nome dado às plantas da família das compostas pertencentes à espécie Xanthium strumarium. Esta espécie caracteriza-se por plantas terófitas monóicas, de caules erectos, geralmente ramificados, de até 90 cm altos, híspidos e inermes, de folhas alternas longamente pecioladas, verdes, ovadas, frequentemente trilobadas, irregularmente crenadas ou dentadas, acunheadas na base, de capítulos em fascículos axilares, ficando os masculinos por cima dos femininos, sendo aqueles subglobosos, de brácteas involucrais, livres e lanceoladas, de flores numerosas, tubolosas e 5-lobadas, de capítulos femininos ovóides, de brácteas involucrais 2-seriadas, coriáceas, as externas pequenas e livres, as internas concrescentes, coriáceas, aculeadas, terminadas por 2 rostros e envolvendo 2 flores apétalas, de invólucro frutífero com espinhos rectos ou gancheados e de aquénios ovóides e de papilo nulo. É bastante variável, tendo sido reconhecidas duas subespécies nos Açores. A subespécie strumaria é constituída por ervas não aromáticas, de caules e ramos verdes, de folhas brandas ou ligeiramente coriáceas, de invólucro feminino de 7-16 x 5,5-6 mm, glabro ou esparsamente pubescente, revestido de espinhos densos mas finos e de aquénios de 0,6-1,4 cm longos. A subespécie cavanillesii caracteriza-se por ervas aromáticas fortemente híspidas, de folhas coriáceas, de invólucro feminino de 15-35 x 6-25 mm na frutificação, glanduloso-pubescente, revestido de espinhos robustos e de aquénios de 1,5-1,9 cm longos. As plantas florescem e frutificam de Julho a Setembro. Aparecem em sítios incultos, entulhos e nas bermas de estradas, geralmente húmidos e expostos até 150 m de altitude em associações antropocóricas. A subespécie strumarium ocorre apenas na Terceira e a subsp. cavanillesli na Graciosa e S. Miguel. A primeira subespécie ocorre na Europa, Ásia sudocidental, Sri Lanka, Japão e América do Norte e Central e nas Ilhas Macaronésicas, além da Terceira, ocorre na Madeira (Press, 1994). A subespécie cavanillesii parece ser originária da América do Sul, mas ultimamente encontra-se naturalizada em diversas partes do Mundo e tem sido indicada para as Canárias (Hansen e Sunding, 1993). A referência para a Madeira parece não se confirmar (Press, 1994). Não nos foi possível confirmar a presença da espécie nas Flores para onde foi indicada por Watson (1844), não tendo sido encontrada posteriormente naquela ilha. Por outro lado, X. brasilicum indicada para a Terceira por Palhinha et al. (1941) e por Palhinha (1946) deve referir-se a X. strumaria subsp. strumaria, e X. orientale assinalada para S. Miguel por Palhinha (1966) e por Hansen (1987) deve tratar-se de X. strumaria subsp. cavanillesii. A esta subespécie tem sido atribuído o nome subsp. italicum por Hansen e Sunding (1979, 1985, 1993), Rocha-Afonso (1982, 1983) e Franco (1984), ao contrário de Eriksson et al. (1974) e Gallego (1987), que utilizaram o nome que temos estado a usar e que está de acordo com o Código Internacional de Nomenclatura Botânica (Greuter et al., 1994). José Ormonde (Mai.1999)
Bibl. Eriksson, O., Hansen, A. e Sunding, P. (1974), Flora Macaronesica. Checklist of vascular plants. Umeå. Gallego, M. J. (1987), 26. Xanthium L. In Valdés, B., Talavera S. e Fernández-Galiano, E. (eds), Flora Vascular de Andalucia Occidental, 3. Barcelona, Ketrus: 43-44. Franco, J. A. (1984). Nova Flora de Portugal (Continente e Açores), vol. 2: Clethraceae-Compositae. Lisboa, Sociedade Astória. Greuter, W., Barrie, F. R., Burdet, H. M., Chaloner, W. G., Demoulin, V., Hawksworth, D. L., Jørgensen, P. M., Nicolson, D. H., Silva, P. C., Trehane, P. e McNeill, J. (eds.) (1994), International Code of Botanical Nomenclature (Tokyo Code). Regnum Vegetabile, 131, Konigstein: I-XVIII, 1-389. Hansen, A. (1987). Plant-list
