Barcelos
Da ilha Terceira - Família que, até prova em contrário, se pode considerar originária da ilha Terceira e autónoma, sem qualquer ligação aos Barcelos Cogominhos do continente ou, como se tem escrito, aos Pinheiros de Barcelos.
Com efeito, os documentos mais amigos que referem o fundador da linhagem não mencionam o apelido Pinheiro, que surge tardiamente pela pena dos genealogistas. Esta constatação, que por si só se revelaria insuficiente, parece reforçada pelo facto de filhos seus, agraciados com Carta de Brasão de Armas de sucessão, apenas terem visto reconhecido o direito ao uso das armas dos Machados que lhes vinham, pela linha materna, de Inês Gonçalves Machado, filha dos pioneiros no povoamento da ilha Terceira, Gonçalo Eanes da Ribeira Seca, a que a maioria dos linhagistas, mas não todos, chama Fonseca, e de sua mulher Mécia Lopes de Andrade. Inês Machado era mulher do navegador e povoador da Terceira, Pedro de Barcelos, com os quais se dá início a esta família açoriana. Tendo sido este povoador, figura de inquestionável relevo no seu tempo, dificilmente se explicaria esta ocorrência se ele tivesse efectivamente pertencido à casa dos Pinheiros de Barcelos, ou aos Barcelos ligados aos Cogominhos da Torre de Coelheiros.
Radicado na ilha Terceira desde o começo da segunda metade do século XV, Pedro de Barcelos fez o seu assento na futura freguesia das Lages, de onde partiu, na companhia de João Fernandes Lavrador, para as explorações marítimas em direcção ao Atlântico Ocidental. Teve terras de sesmaria nas Lages por cartas de 18.10.1490 e 14.4.1495, tendo vindo a falecer já nos finais da primeira década de Quinhentos.
O casal teve seis filhos e três filhas. Eles aliaram-se aos Cabaços, Evangelhos, Homens, Fagundes e Furtados de Mendonça. Elas, aos Aboins, Teives e Matelas e tiveram tão dilatada progénie que em escassas gerações se estendeu a toda a Terceira e ilhas circunvizinhas, com muita descendência actual. Manuel Lamas (Mar.2000)
