Barbeiro, O

(José Pacheco da Câmara) [N. Nazaré, concelho do Nordeste, ilha de S. Miguel, 6.11.1879 - m. Cinco Ribeiras, ilha Terceira, 8.12.1956] Cantador popular. Trabalhador rural. Sabia ler e escrever pouco. O Barbeiro cantou por toda a ilha com o Valério, João Januário, Furtado, Virgínio e outros do seu tempo. Deslocou-se à Terceira várias vezes, tendo participado, em 1937, no grupo que representou Ponta Delgada no Torneio Açoriano de Cultura. Tem versos graciosos e outros de conceitos profundos, que se reflectem na candura da sua expressão. A um cantador que se queixava de não ser bom cantador, dado que desconhecia as letras do alfabeto, respondeu: “Mesmo sem saber as letras/ Podes ser cantor perfeito:/ Desvia-te das valetas/ E segue caminho direito.”

Na despedida de Maria Angelina Turlu que tinha ido cantar a S. Miguel, improvisou: “A Turlu é merecedora/ Desta pátria, Portugal!/ Pois cá nunca veio cantora/ Nem parecida, nem igual.” Borges Martins (Mar.1998)