barbasco

Nome dado às plantas da família das escrofulariáceas pertencentes à espécie Verbascum virgatum. A estas plantas foi atribuído o nome de verbasco, pelo qual foram conhecidas as plantas de Verbascum thapsus subsp. thapsus (Sampaio, 1904).

Verbascum virgatum é caracterizada por plantas hemicriptófitas subarrosetadas de até 150 cm de caule erecto, geralmente todo pubescente-glanduloso, de pêlos simples ou ramificado, distalmente verde, de folhas basilares até 25 x 8 cm, oblongo-lanceoladas, sésseis ou curtamente pecioladas, sinuado-crenadas, glabrescentes, de folhas caulinares sésseis ou um pouco decurrentes, mais largas e menores, de inflorescência longa, terminal, simples ou com alguns rácimos curtos na base e frouxa, de 1 a 5 flores na axila de cada bráctea, de brácteas 8 a 15 mm longas, lanceoladas a ovadas, de bractéolas linear-lanceoladas, de pedicelos inferiormente unidos ao eixo da inflorescência, de cálice 5 a 8 mm longos, com 5 lóbulos linear-lanceolados, de corola amarela com 3 a 4 cm de diâmetro, de tubo muito curto e limbo largo rodeado, 5-lobado, de 5 estames com anteras reniformes e filetes com pêlos violáceos, de fruta capsular 5 a 8 mm longo, globoso e septicida e de sementes com várias filas longitudinais de alvéolos. Floresce de Abril a Agosto. Aparece abaixo de 500 m de altitude fazendo parte de associações antropocóricas (Sjögren, 1973; observação pessoal). Tem sido encontrada em todo o arquipélago excepto no Corvo e na Graciosa. Esta espécie ocorre na Europa ocidental até à Inglaterra sudocidental (Tutin et al., 1972), mas também se encontra nas ilhas da Madeira, do Porto Santo e de La Palma (Hansen at el., 1993). Watson (1847, 1870) é o primeiro autor a indicar a ocorrência desta espécie nos Açores, precisamente na ilha de Santa Maria, baseado em plantas colhidas por Hunt em 1845. Drouët (1866) é o segundo a referi-la para o arquipélago açoriano, quer com o binome acima referido para a Terceira, quer como V. blattaria para o Pico. Cedercreutz (1941) também refere estas duas espécies. De facto, esta espécie difere de V. virgatum por as plantas a ela pertencentes serem glabras, terem glândulas sésseis ou pecioladas na página adaxial da lâmina das folhas, folhas de menor tamanho, inflorescências simples sem bractéolas e flores menores. José Ormonde (Mai.1999)

Bibl. Cedercreutz, C. (1941), Beitrag zur Kenntnis der Gefässpflanzen auf den Azores. Commentationes Biologicae Societas Scientiarum Fennicae, 8, 6: 1-29. Drouët, H. (1866), Catalogue de la flore des îles Açores précédé de l’itinéraire d’un voyage dans cet archipel. Mémoires de la Société Académique de l’Aube, 30, 3: 81-233. Hansen, A. e Sunding, P. (1993), Flora of Macaronesica. Checklist of vascular plants. 4ª ed. rev. Sommerfeltia, 17: 1-295. Sampaio, J. A. N. (1904), Flora da Ilha da Terceira, Parte II In Sampaio, A. S., Memória sobre a Ilha Terceira. Angra do Heroísmo, Imp. Municipal: 39-107. Sjögren, E. (1973), Recent changes in the vascular flora and vegetation of the Azores. Memórias da Sociedade Broteriana, 22: 1-453. Tutin, T. G., Heywood, V. H., Burges, N. O., Moore, D. M., Valentine, D. H., Walters, S. M. e Webb, D. (eds.) (1972), Flora Europaea, vol 3: Diapensiaceae to Myoporaceae. Cambridge, Cambridge University Press. Watson, H. C. (1847), Suplementary notes on the botany of the Azores. The London Journal of Botany, 6: 380-397. Id. (1847), Botany of the Azores In Godman, F. C., Natural history of the Azores or Western Islands. Londres: 113-288.