bando

Recitação, nos sábados que precedem as domingas do Espírito Santo e da Trindade, de loas que anunciam a festa e satirizam factos e pessoas da freguesia, segundo Breda Simões (1987: 38) que refere este costume na ilha de S. Jorge.

Nele intervêm um cavaleiro, vestido de claro, que recita quadras comentadas ironicamente pelo “velho do bando” que traja andrajosamente. Os bandos em muito se assemelham a uma forma de teatro popular, as comédias, tal como descritas em Ribeiro (1982: 801). Também aí existe um velho maltrapilho que, agora escanchado num burro e acompanhando três cavaleiros, faz o mesmo tipo de comentários irónicos e jocosos às quadras recitadas pelo cavaleiro logo na embaixada, o anúncio do espectáculo; o velho intervém ainda na terceira parte da comédia propriamente dita, o reclame, em que o cavaleiro vai “narrando os factos escandalosos ou ridículos ocorridos” em cada freguesia ao longo do ano, tal como se passava no bando. Cristina Brito da Cruz (Mai.1998)

Bibl. Ribeiro, L. S. (1982), Obras, vol I: Etnografia Açoriana. Angra do Heroísmo, Instituto Histórico da Ilha Terceira/ Secretaria Regional de Educação e Cultura. Simões, M. B. (1987), Roteiro Lexical do Culto e Festas do Espírito Santo nos Açores. Lisboa, Instituto de Cultura e Língua Portuguesa.