bandarilheiro
Toureiro que coloca bandarilhas ou membro da quadrilha do matador, que se obriga a executar a sorte de bandarilhas. Tem como designação complementar a de brega, como membro da quadrilha que auxilia nas sortes, durante a lide. Do uso do capote ou capa deriva a designação portuguesa de capinha, muito comum na ilha Terceira e que o povo passou a atribuir aos rapazes que lidam os toiros pela rua, nas touradas à corda.
O bandarilheiro tem actualmente estatuto profissional mas, antigamente e na ilha Terceira, muitos dos que fizeram a história da tauromaquia local foram amadores, em muitos casos vinculados às principais famílias da ilha. Participar nos festejos taurinos era uma honra e uma prova de coragem particularmente apreciada.
Nomes como Alfredo Campos, António Borges, Francisco de Paula Barreto, Raul do Canto e tantos outros, foram apreciados amadores na segunda metade do século XIX . De 1930 a 1960, merecem menção especial os irmãos Gastão e Valdemar Silva (Tarrafeiro) e os irmãos Raul e Guilherme Carvalhal e mais recentemente Henrique Parreira, José Eduardo Silva e Berto Pacheco. Presentemente, a Terceira conta com dois bandarilheiros profissionais, Rogério Silva e Rui Silva, mas a figura mais notável da ilha nesta actividade, como profissional, foi Luís Machado Ávila (Canário), cuja entrega e particular entusiasmo pela arte o levou a percorrer mundo, toureando em Lisboa e no Brasil onde, em 1906 e na cidade de Petrópolis, foi gravemente colhido. Nascido provavelmente em 1860, estreou-se com onze anos de idade na Praça de S. João, mostrando-se desde logo um hábil bandarilheiro. Nas diversas digressões ao continente, actuou numa época em dezoito corridas de toiros, em especial na praça de Algés, alcançando notáveis triunfos. Viria a morrer no Brasil no ano de 1921. José Alpoim Bruges (Set.1999)
