Banco Comercial dos Açores

Com a afirmação do regime autonómico no arquipélago dos Açores, o Banco Micaelense – constituído em 1912 – passou para a superintendência do Governo Regional dos Açores, tornando-se num agente indispensável à prossecução da sua política económica.

A alteração da sua denominação para Banco Comercial dos Açores, aprovada em Conselho de Ministros, a 11 de Dezembro de 1979, por proposta do Governo Regional, pode considerar-se não ter sido mais do que a confirmação de um espaço que o Banco Micaelense soubera conquistar, ao longo de várias décadas, no todo geográfico açoriano.

A acção prioritária de suporte ao desenvolvimento das actividades económicas do arquipélago, procurando acompanhar, de perto, os objectivos definidos no Plano de Desenvolvimento, aprovado pelo Governo Regional, aliada aos custos de exploração altamente onerados pela condicionante arquipelágica e, ainda, à insignificância de capitais próprios, colocaram à gestão do Banco Comercial dos Açores um constante desafio, quer ao nível da estrutura interna dos serviços, quer da estratégia comercial.

Enquadrado na Lei n.º 11/90, em Maio de 1995, pelo Decreto-Lei n.º 91/95, o Banco Comercial dos Açores, EP foi transformado em sociedade anónima, sendo, também, definido o modelo de reprivatização de 66% do seu capital social.

Tendo-se apresentado dois agrupamentos de candidatos à primeira fase da reprivatização do BCA, correspondente a 56%, do seu capital social, o concurso foi ganho pelo consórcio liderado pelo Banco Internacional do Funchal. O processo de reprivatização só ficou concluído após a OPV, de 900.000 acções, correspondentes a 10% do capital, realizada no dia 9 de Dezembro de 1996, na Bolsa de Valores de Lisboa, destinada a trabalhadores do BCA e da Açoreana de Seguros e a pequenos subscritores e emigrantes.

Com o regresso do Banco Comercial dos Açores ao sector privado da economia, integrado num grupo com uma significativa implantação insular, num contexto empresarial caracterizado por uma intensa e aguerrida concorrência, as estratégias seguidas, a partir de então, assentaram numa nova filosofia de gestão, que produziu alterações profundas na sua estrutura orgânica e nos seus procedimentos, consubstanciados numa, cada vez maior, aposta na modernização e dinamização a todos os níveis, sem contudo perder o seu cariz de banco regional. Fátima Senra Estrela (2006)