bancadas

São rebordos salientes formados ao longo das paredes das gratas lávicas. A sua génese (Fig. 1) está relacionada com o atrito existente entre as paredes da gruta e o fluxo de lava, assim como com um mais rápido arrefecimento (perda de calor, por condução) nas zonas laterais da escoada, e consequente aumento da viscosidade. As bancadas podem apresentar-se sobrepostas (Fig. 1), com patamares a diferentes alturas, se o nível de escorrência da lava no interior do túnel diminui e permanece constante, em novas posições, por um período de tempo suficiente.

A distinção entre as bancadas e os levées nem sempre é fácil de estabelecer, embora as primeiras apresentem, sobretudo, uma secção rectangular e, em geral, se edifiquem na zona de junção entre as paredes e o chão das grutas lávicas.

Enquanto que, nos Açores, estas estruturas são usualmente designadas por “balcões”, termos como “terraço”, “banco” ou “parapeito” são igualmente utilizados como sinónimos de bancada. A designação “cornija” (ou shelf - Larson, 1993) é normalmente aplicada quando estas estruturas estão apoiadas unicamente nas paredes da gruta (Fig. 2a).

Nalgumas grutas, sobretudo nas de maiores dimensões, a união de duas cornijas pode originar dois pisos (Fig. 2a), o mesmo acontecendo quando há a junção de duas bancadas (Fig. 2b).

Neste último caso, a galeria inferior apresenta geralmente uma secção triangular (Diaz e Socorro, 1985). Um segundo piso pode, ainda, formar-se quando há obstruções locais ao fluxo da lava no interior do túnel (Figura 2c). Quando o tecto da galeria inferior possui pequenas dimensões (com um comprimento menor do que a largura da gruta) a estrutura resultante designa­-se por “ponte lávica” (Larson, 1993). João Carlos Nunes (Abr.1998)

Bibl. Constância, J. P., Nunes, J. C. e Braga, T. (1994), Património Espeleológico da Ilha de S. Miguel. Ponta Delgada, Amigos dos Açores. Diaz, M. e Socorro, S. (1985), Consideraciones sobre diversas estructuras presentes en tubos volcanicos del archipielago canario. Proceedings II Simposium Regional de Espeleologia de la Federación Territorial Canaria de Espeleología.. Burgos: 49-63. Larson, C. V. (1993), An Illustrated Glossary of Lava Tube Features. Western Speleological Survey Bulletin, 87.