baleeiro
1 Marítimo especializado na captura dos grandes cetáceos. Os baleeiros demarcam-se dos restantes pescadores assumindo-se como caçadores em vez de pescadores de baleias. Normalmente possuíam outras profissões, eram agricultores, ferreiros, carpinteiros, pedreiros, comerciantes, funcionários públicos... e também pescadores.
A actividade era sazonal, incidindo nos meses de Maio a Outubro. Quando soava o sinal de baleia, sinais sonoros foguete ou visuais bandeiras deixavam os trabalhos e deslocavam-se rapidamente para a Casa dos Botes, a fim de tomar lugar nas embarcações que partiam rapidamente.
Os baleeiros subdividem-se em várias categorias, a que correspondem recompensas (soldadas) diferentes. Tripulantes dos botes: oficial (2 soldadas), trancador (1,5 soldadas), remador (1 soldada). Tripulantes das embarcações auxiliares da pesca da baleia lanchas baleeiras: mestre de lancha (2 soldadas), motorista (1,5 soldadas) e marinheiro (1 soldada). A partir dos anos 50/60 os trancadores e motoristas passaram a receber 2 soldadas. Em terra, os vigias (2 soldadas).
Os remadores e os marinheiros não pertenciam a embarcações determinadas. Embarcavam os que chegassem primeiro. Os oficiais e os trancadores eram relativamente fixos.
Sendo uma faina de gigantes, a luta contra o maior animal da terra, as características artesanais da actividade e o sempre presente risco de vida, marcaram o espírito e o carácter dos baleeiros. Há um manancial de histórias de baleeiros, muitas já publicadas, que reflectem a forma de ser destes marítimos, frequentemente considerados os últimos grandes heróis da saga marítima portuguesa. Nas palavras do poeta Almeida Firmino, «heróis sem nome com um pé em terra e outro no mar» (Firmino, 1968).
Ao longo de mais de um século de baleação, muitos baleeiros se destacaram de entre os seus pares, granjeando o respeito e a admiração de todos. Certamente errando por omissão, ficam registados alguns destes baleeiros: capitão Anselmo (Anselmo Silveira da Silva), capitão Medina, José Caçoila, os Faidocas mestre José Faidoca Velho, Manuel F., António F., e Mário F. João Silveira, Ti Machadinho, Manuel Serafim, Manuel Alfaiate, Domingos Saltão, Mestre José Domingos, os Fulas Manuel Fula Velho, José F. e Francisco José F. -, mestre Januário, José Caneca Velho e filho, o Garcia do Norte, mestre José Costa, mestre José Garcia (José Garcia Tavares), João Medina, João Tavares, Capitão Fidalgo, mestre Caiador, José Gatinho, mestre João Abrão, mestre António Vieira Velho, Manuel Garcia, Domingos Inteiro, mestre José Batata, Pé Leve, João Maurício, Francisco Barbeiro, o Gil, o Portugal, João Léle, / José do Leonel, Zulmiro Silva, João Vieira Gomes, mestre João Luís Júnior, mestre Ângelo Brum, Fernando José Armas, João António Cardoso, Manduca, Rufino, José Rafael, tio Cepo, tio Matias, tio Maurício Fraga e tantos outros ... Francisco G. A. Medeiros (Mar.2000)
2, s. Termo utilizado em S. Miguel para designar o emigrante que regressou definitivamente à ilha. Por extensão, qualquer pessoa que regressa depois de uma longa ausência (Medeiros). João Saramago e José Bettencourt (Jul.2000)
Bibl. Afonso, J. (1998), Mar de Baleias e Baleeiros. Angra do Heroísmo, Direcção Regional da Cultura. Firmino, A. (1968), Ilha Maior. Angra do Heroísmo, Ed. Açor. Melo, D. (1985-1991), Na Memória das Gentes. Angra do Heroísmo, Direcção Regional de Orientação Pedagógica, 6 vols.
