Baldaia, Gaspar do Rego

Gaspar do Rego Baldaia nasceu no Porto, sendo filho de Gonçalo do Rego, o Velho, cidadão do Porto, e de Maria Baldaia. Ainda moço, instalou-se em São Miguel com o pai, já viúvo, e os três irmãos, “todos cavaleiros, ricos e abastados” (Frutuoso, 1977: 238). Durante a sua juventude, esteve em Marrocos, onde serviu como pagem o futuro conde de Linhares, D. António de Noronha. Cavaleiro da Ordem de Cristo desde 1529, recebeu nesse mesmo ano, por diploma datado de 6 de Março, carta de brasão com as armas dos Regos. Casou duas vezes: a primeira, com Margarida Pires, filha de Sebastião Gonçalves e de Isabel Pires, de quem teve um filho, que morreu solteiro; a segunda, com D. Margarida de Sá, filha de João de Bettencourt e de Guiomar Gonçalves. Segundo Gaspar Frutuoso, os seus rendimentos atingiriam os 360 moios, havendo quem afirmasse que chegavam aos 400 moios (Frutuoso, 1981: 152-153). Fez testamento aprovado a 9 de Março de 1572, pelo qual instituiu um vínculo (capela), de que foi primeira administradora sua mulher, D. Margarida de Sá, e cujos rendimentos sustentariam a capela de Nossa Senhora da Glória (depois conhecida como de Nossa Senhora da Assunção), que seria erguida no lado sul da Matriz de Ponta Delgada. Esta capela só receberia retábulo, paramentos e outras alfaias para o culto em 1669. Quanto a Gaspar do Rego Baldaia, morreu poucos dias depois de testar, a 21 de Março de 1572. Foi filho único do segundo matrimónio Francisco do Rego de Sá, que seria conhecido como o Grão-Capitão, pelos seus feitos militares. José Damião Rodrigues (Dez.1998)

Bibl. Frutuoso, G. (1977-1981), Livro Quarto das Saudades da Terra. Ponta Delgada, Instituto Cultural de Ponta Delgada, I-II. Rodrigues, R. (1946), Quem era Gaspar do Rego Baldaia, o remetente, para Ponta Delgada, do alvará régio que a fez cidade, em 1546. Insulana, II, 2-3: 331-335.