balcão

1 No dicionário encontramos entre as múltiplas significações desta palavra as que mais se coadunam com o balcão açoreano: “Eirado de pedra, à altura do 1° andar, atrás da casa ou ao lado (...) Patamar, no cimo dessa escada [exterior da habitação] (...) Alpendre quadrado, em frente da casa de habitação, aberto de três lados e com bancadas em volta” (Silva, 1949).

A forma “balcão”, espaço plano não coberto, no topo superior das escadas exteriores ou no nível térreo junto à entrada, é universal na casa rural açórica, assumindo correntemente uma expressão de espaço de acolhimento, entre interior e exterior da habitação. O balcão entende-se habitualmente como um espaço não coberto, e assim distinto do alpendre, pois este apresenta cobertura.

Leite de Vasconcelos registou a designação local da casa de escada exterior como “casa de balcão”; este podia porém ser coberto (“balcão de sombra”), ou descoberto (Vasconcelos, 1975: 302).

Na casa rural deste século, a presença de escada de pedra exterior, acedendo a um balcão também em pedra, é quase sistemática na singela casa mariense, térrea ou de dois pisos (que por isso podemos designar por “casa de balcão”). Também no Pico (Santa Luzia, costa norte, entre outras) a casa de balcão assume expressão estética elevada, nas casas vernáculas de dois pisos. Aqui, o balcão surge moldurado por elegante e sóbrio remate de pedra negra com secção “em bico”, moldurada por caiação. Mas também nas outras ilhas o balcão ocorre. Ver alpendre. José Manuel Fernandes (Jan.1999)

Bibl. Fernandes, J. M. (1996), Cidades e Casas da Macaronésia. Porto, Faculdade de Arquitectura. Silva, A. M. (1949), Balcão In Grande Dicionário da Língua Portuguesa [“Dicionário de Morais”]. 10ª ed., Lisboa, Ed. Confluência. Vasconcelos, L. (1975), Etnografia Portuguesa. Lisboa, Imp. Nacional-Casa da Moeda, VI.

2 Designação dada às banquetas ou plataformas laterais existentes na paredes das grutas vulcânicas do tipo tubo lávico, que marcam níveis sucessivamente mais baixos a que a lava estacionou no interior da galeria, à medida que o fluxo de lava foi diminuindo. José Madeira  (2002)

Bibl. Mottet, G. (1974), Les tunnels dans les coulées de lave de Terceira: note de geomorphologie volcanique. Finisterra, 9, 17: 111-117.