bailhos
Eventos festivos, formas de divertimentos populares que se realizaram desde o povoamento e, com muita frequência, até ao primeiro quartel do século XX. Constituídos por longas sequências de animadas danças que bailhadores, acompanhados por cantadores e tocadores de violas da terra, levavam a cabo na presença de numerosa assistência, nas casas dos mordomos do Menino Jesus ou de cada imperador do Espírito Santo, nas matanças do porco e noutras situações festivas.
Prática frequente nas nove ilhas do arquipélago, o bailho (balho na Terceira, S. Miguel e Santa Maria) tanto designava o evento (às vezes denominado charamba), como cada uma das suas modas (sendo a de abertura igualmente chamada Charamba).
Lopes (1980), mais conhecido como João Ilhéu, descreveu-o deste modo: divide-se em duas partes, entrando na primeira as seguintes modas, sempre pela ordem indicada: Charamba, Virar-do-Baile ou S. Miguel, a Tirana, o São Macaio e a Chamarrita. Na segunda parte: o Pézinho, a Praia, a Saudade, os Bravos, o Meu-Bem, a Lira, os Olhos-Pretos e a Sapateia. Embora fossem introduzidas novas modas, como os Braços ou a Bela-Aurora, o Casaco ou Cá-Sei, substituindo algumas das atrás indicadas, contudo a segunda parte abria e fechava sempre com as mesmas modas, e só depois de terminado o Balho propriamente dito, é que se iniciavam as Chamarritas, dançadas por pares isolados que se revezavam e que a assistência ía premiando com aplausos mais ou menos frenéticos consoante os méritos dos dançarinos.
Aos bailhos chegavam gentes de povoados vizinhos, em romaria, e eram especialmente apreciados pelos jovens, porque, como descreve Dias (1981: 25), o balho era o jardim onde se apanhava a flor escolhida....
Actualmente os grupos folclóricos perpetuam esta tradição, trazida agora para os palcos de espectáculo, tendo sido substituídas as marcações anteriormente utilizadas por coreografias mais elaboradas e sendo os cantadores e tocadores sujeitos a ensaios organizados. Cristina Brito da Cruz (Mai.1998)
Bibl. Dias, F. J. (1981), Cantigas do Povo dos Açores. Angra do Heroísmo, Instituto Açoriano de Cultura. Lopes, F. (ou Ilhéu, J.) (1980), Ilha Terceira. Notas de Etnografia. Angra do Heroísmo, Instituto Histórico da Ilha Terceira. Simões, M. B. (1987), Roteiro Lexical do Culto e Festas do Espírito Santo nos Açores. Lisboa, Instituto de Cultura e Língua Portuguesa.
