bailho furado

Género coreográfico em que normalmente participam um cantador, dois tocadores de violas de arame e um número de bailhadores dependente do espaço disponível. Estes dispõem-se em duas rodas, a dos homens e a das mulheres, que avançam em sentidos opostos, como que a formarem um desenho entrelaçado, isto é, a furarem.

Este tipo de bailho, a que também chamam “fado” (devido à utilização do “fado corrido” como padrão de acompanhamento), sobreviveu a uma lei proibitiva dos bailhos (Diocese de Angra, 1925) que se realizassem nas casas de mordomos do Menino Jesus e imperadores do Divino Espírito Santo , sob o pretexto de profanação dos emblemas religiosos.

Segundo Dias (1981: 50) em “época recuada que chegou até ao primeiro quadrante deste século [xx] (...) em S. Miguel balhavam-se todos os balhos que se conheciam no tempo (...): Pezinho Novo/ Pezinho Velho/ Pezinho da Vila/ Balho Furado/ Sapateia/ Caninha Verde/ Saloia/ Fôfa/ Bela Aurora/ Chamarrita/ Tanchão/ Manjericão/ Ciranda/ Charamba d’Água d’Alto/ Saudade.”

Actualmente Bailhos Furados, com os Pézinhos e pouco mais, são ainda bailhados por ocasião de matanças de porco, em grupos de familiares e amigos, ou por grupos de jovens em sítios combinados e a que assistem familiares mais velhos.

O seus textos normalmente alegres e jocosos, (prestando-se a despiques e desgarradas em que improvisam cantadores), podem também cantar um amor mal compreendido, mas sempre de modo a divertir com humor e ironia. Exemplos dos dois tipos são: “Não há machado que corte/ A raiz ao pensamento/ Nem há letrado que diga/ O que tenho no intento” e “Os teus olhos não são olhos/ São sanefas de veludo/ Oh quem me dera lograr/ Olhos, sanefas e tudo!” Cristina Brito da Cruz (Mai.1998)

Bibl. Dias, F. J. (1981), Cantigas do Povo dos Açores. Angra do Heroísmo, Instituto Açoriano de Cultura. Lopes, F. (ou Ilhéu, J.) (1980), Ilha Terceira. Notas de Etnografia. Angra do Heroísmo, Instituto Histórico da Ilha Terceira. Simões, M. B. (1987), Roteiro Lexical do Culto e Festas do Espírito Santo nos Açores. Lisboa, Instituto de Cultura e Língua Portuguesa.