bafo-de-boi
Nome regional na Ilha das Flores da espécie botânica Ranuncules cortusifolius (já foi chamado R. grandiflorus, R. megaphyllus, R. tenerifae), da família das Ranunculáceas.
Hemicriptófito até 100 cm, robusto e densamente viloso; folhas basilares com 5-30 cm de largura, coriáceas, orbi-cordiformes, com lobos largos e dentados no ápice; folhas caulinares inferiores semelhando as basilares mas menores, as superiores sésseis e bracteiformes; cimeiras corimbosas; pedúnculo estriado-roliço; flores com 30-35 mm de diâmetro; sépalas patentes; os frutos são aquénios com 3 mm, blabros, lisos, de rosto com 1 mm, recurvado (Franco, 1971). Esta vistosa planta herbácea vivaz está confinada nos sítios húmidos dos taludes íngremes das grotas (ravinas) na zona alta das serras, acima de 500 m, onde o gado bovino não consegue chegar, em sete das ilhas do arquipélago (exceptuam-se Santa Maria e Graciosa). O seu habitat estende-se aos arquipélagos da Madeira e Canárias (endemismo macaronésico). Em Abril-Maio, emite flores douradas e brilhantes reunidas em cimeiras vistosas.
O nome do género veio do latim pela preferência pelos lugares encharcados como as rãs (rana). O valor botânico e ornamental deste endemismo justifica que sejam tomadas medidas de protecção, impedindo o acesso de animais nos sítios menos degradados, como as grotas voltadas a norte na zona mais alta da Ilha de S. Jorge. Ilídio Botelho Gonçalves (Fev.1998)
Bibl. Franco, J. A. (1971), Nova Flora de Portugal (Continente e Açores), vol. I: Lycopodiaceae-Umbelliferae. Lisboa, Sociedade Astória. Palhinha, R. T. (1966), Catálogo de Plantas Vasculares dos Açores. Lisboa, Sociedade de Estudos Açorianos Afonso Chaves. Tutin, T. G. (1964), Flora Europaea. Cambridge University Press, I.
