babosa
Nome vulgar de diversas plantas, cuja seiva exsuda dos golpes com o aspecto de baba. Raquel Costa e Silva
MEDICINA POPULAR Nos Açores o aloés é usado sobretudo como purgante na obstipação e digestivo, tomando uma infusão com uma pequena fatia da folha. Como analgésico nas dores reumáticas, faz-se uma aplicação local do suco. Utiliza-se como supositório para aliviar as hemorróidas. Para maturar os furúnculos, faz-se um ungento de aloés com uma gema de ovo, duas colheres de farinha de trigo, duas colheres de açúcar e duas colheres de aguardente. Bate-se bem e depois faz-se a aplicação local duas ou três vezes ao dia. Francisco Dolores (2000)
1 Aloe arborescens (Liliaceae) é talvez a espécie do género Aloe mais vulgar nos Açores. Tem sido usada como ornamental. Originária da África do Sul e Tropical, adaptou-se muito bem nos Açores e Madeira, aos terrenos pobres e pedregosos da beira-mar, resistindo às ressalgas.
Arbusto muito ramificado desde a base e que pode atingir 3 m de altura e 3 m de diâmetro. É destituído de espinhos. Os caules são revestidos por folhas mortas que persistem nos 30-60 cm abaixo das rosetas de folhas, localizadas nas extremidades dos caules. Folhas suculentas, dispostas em rosetas que podem atingir os 80 cm de diâmetro, erectas a deflexas, com 7 cm de largura na base e até 60 cm de comprimento, verde-glaucas e marginadas de dentes recurvados. Inflorescências geralmente não ramificadas, emergindo de rosetas de folhas 2 a 4 por roseta, pedúnculo erecto ou arqueado, podendo atingir os 100 cm de comprimento, com várias brácteas triangulares com cerca de 20 mm, terminando numa lindíssima espiga vermelha, cónica, com 30 cm ou mais de comprimento. Flores de perianto vermelho-vivo, cilíndricas ou com três lados, com 40 mm de comprimento, verdes no apex, com anteras e estigmas excertos. A floração normalmente estende-se de Novembro a Fevereiro.
Embora os aloés se multipliquem habitualmente por semente, nos Açores não produzem em regra semente fértil, e a sua propagação faz-se vegetativamente. Usam-se grandes estacas com as rosetas terminais e uns 10 a 20 cm do caule subjacente, ao qual se retiram as folhas mortas, e se deixam a secar durante um dia. Esta operação pratica-se geralmente em Julho. Estas estacas plantadas em areia emitem raízes rapidamente.
2 Opuntia ficus indica (Cactaceae). Também por vezes designada figueira-do-inferno, é originária da América Tropical. Cultivada em muitas regiões, nomeadamente na Madeira, Porto Santo e Açores. É utilizada em sebes ou vedações. Em regiões mais quentes e secas é cultivada para aproveitamento dos frutos que, nos Açores, geralmente não amadurecem.
Arbusto suculento, com 3-5 m de altura, erecto, com ramos patentes. Os exemplares velhos apresentam um tronco que pode atingir 1 m de largura em condições favoráveis. Os caules são artículos oblongos ou ovados, 20-60 x 10-40, verdes ou azuis-esverdeados, enquanto jovens, mas tornando-se acinzentados com os anos. Auréolas pequenas, esbranquiçadas. Espinhos, um ou dois, raramente nulos, com 8 a 15 mm, finos, erectos e esbranquiçados. Flores com 7-10 cm de diâmetro, de cor amarelo intenso. O fruto é uma baga com 5 a 9 cm de comprimento obovóide a oblongo, acentuadamente umblicado no ápice, amarelo, purpúreo ou variegado.
3 Aloe sucutrina (Liliaceae) Citado por Pereira (1953).
4 Aloe vera (Liliaceae), também designada por erva-babosa. Originária de Cabo Verde, Canárias, região mediterrânica e América Central, é espontânea no Sul de Portugal.
Planta de caule curto, que dá numerosos rebentos na base, tomando um aspecto arrosetado. Folhas carnudas, verde-acinzentadas, apresentando por vezes pintas nas plantas jovens que depois desaparecem, margens rosadas com dentes firmes esbranquiçados. Inflorescências, cachos estreitos, com um ou dois ramos, podendo atingir os 90 cm, com um tufo de bractéolas secas na extremidade. Flores de perianto amarelo com 30 mm de comprimento, ligeiramente ventricosas, com pedicelos de 5 mm, anteras excertas de 3-4 mm, estigma excerto de 5 mm. Raquel Costa e Silva (Dez.1999)
