Azevedo, Joaquim José de

[N. Matriz, Horta, 19.7.1829 – m. Lisboa, 1884?] Primeiro professor com formação superior no Liceu da Horta. Bacharel em Filosofia Natural pela Universidade de Coimbra (1857) onde foi condiscípulo de Ernesto do Canto e Filipe do Quental (cf. Goulart, 1952), foi nomeado, no ano seguinte, professor da cadeira de Física, Química e Introdução à História Natural dos Três Reinos no Liceu da Horta e, em 1882, presidente da Junta Escolar do Concelho da Horta (cf. Goulart, 1952; Macedo, 1871, 2: 249). Regeu, gratuitamente, um curso sobre o Sistema Métrico Decimal destinado a instruir todos os professores e candidatos ao magistério primário do distrito da Horta, por encargo do Comissário de Estudos (1858) e outro de Botânica e Agricultura (1879) (Correio da Horta, 1944; Goulart, 1952; Portugal, Madeira e Açores, 1948).

Empenhado em dar o maior desenvolvimento à instrução pública, fez publicar o primeiro Programa para a regência da cadeira de Physica, Chimica e Historia Natural dos trez reinos (O Fayalense, 1858).

Primeiro observador meteorológico no Faial, durante anos até 1883, fez observações meteorológicas que enviou, regularmente, para o Observatório de Lisboa. Fez parte da comissão organizadora dos planos para os caminhos vicinais e elaborou o regulamento dos serviços dos expostos. Graças à sua iniciativa, na cidade da Horta foi construído o então denominado Jardim Público, onde teve oportunidade de leccionar a disciplina Introdução à História Natural dos Três Reinos, aberta no Liceu, em 1858 (Correio da Horta, 1944; Lobão, 2004: 61; Portugal, Madeira e Açores, 1948).

Foi procurador à Junta Geral (1860-1862), provedor da Santa Casa da Misericórdia da Horta (1870-1872) e presidente da Câmara Municipal (1878-1879).

Redigiu o jornal, semanário literário, A Horta, que iniciou publicação nesta cidade em 25 de Maio de 1862 (Lima, 1943), e deixou colaboração dispersa por jornais do continente, nomeadamente na revista O Instituto.

Produtor de vinho, foi premiado em exposições de vinicultura realizadas na Horta, em Lisboa e no Rio de Janeiro (1878, 1879). Foi autor do projecto de um forno para cozer cal, que mandou construir junto às pedreiras da doca (Correio da Horta, 1944).

Fidalgo cavaleiro da Casa Real (1864), foi sócio correspondente do Instituto, de Coimbra, da Sociedade de Geografia, de Haia, e da Real Associação de Agricultura Portuguesa.

Em 1901, a Câmara Municipal, presidida pelo Barão de Roches, homenageou-o dando o seu nome à então denominada rua do Carmo, onde havia residido (Câmara Municipal da Horta, Vereações, Liv. 50: 131(a)). Luís M. Arruda (2006)

Fontes: Arquivo da Universidade de Coimbra, certidão de baptismo passada em 1852. Biblioteca Pública e Arquivo Regional da Horta, Câmara Municipal da Horta, Vereações, Liv. 40: 11, Auto do juramento e posse dos vereadores eleitos para a Câmara Municipal ... [2.2.1878]. Biblioteca Pública e Arquivo Regional da Horta, Câmara Municipal da Horta, Vereações, Liv. 50: 131, Sessão ordinária de 28 de Dezembro de 1901. A Horta [colecção existente na Biblioteca Pública e Arquivo Regional da Horta].

 

Bibl. Lima, M. (1943), Anais do Município da Horta. Famalicão, Of. Gráficas Minerva. Junho 11 (1944), Correio da Horta, Horta, n.º 3.609, 10 de Junho. Relembrando ... Dr. José Joaquim de Azevedo (1948), Portugal, Madeira e Açores, Lisboa, n.º 2.381, 8 de Julho.