Azevedo, António Pedro
[N. Caminha, 20.2.1812 m. ?, ?] Assentou praça a 4 de Setembro de 1826 e foi sucessivamente promovido a alferes, 1832; tenente, 1834; capitão, em 1842; major, em 1851; tenente-coronel, em 1861; coronel, em 1864 e general de brigada, em 1874. Foi reformado em 3 de Dezembro de 1878 como general de divisão.
Era habilitado como curso da Academia Real de Fortificação, Artilharia e Desenho, tendo em 1828 sido riscado desta escola devido às suas ideias liberais, mas voltou aos estudos em 1835 passando então à arma de Engenharia quando terminou o curso em 1837.
Fez grande parte da sua vida profissional na ilha da Madeira, onde foi director das Obras Públicas e montou a Exposição Agrícola do Funchal, tendo em 1868 comandado a 9.ª Divisão Militar naquela ilha.
Em Lisboa, em 1873, foi nomeado chefe da Secretaria da Direcção Geral de Engenharia onde serviu até à reforma. Deixou uma obra significativa em matéria de levantamentos cartográficos da ilha da Madeira.
Em 1842 colaborou com os oficiais do navio de guerra britânico Styx, no qual o capitão inglês Vidal fez os estudos necessários para a elaboração da cartografia da Madeira e dos Açores que se tornaram durante o século XIX nas cartas oficiais das ilhas atlânticas e as mais apreciadas. Não é claro, na documentação consultada, que António Pedro Azevedo tinha acompanhado Vidal aos Açores, mas é possível que sim tendo em conta as cartas açorianas que elaborou.
Em 1848 foi nomeado para ir a Inglaterra estudar a organização da Engenharia Militar daquela potência e alcançar informações sobre as possessões ultramarinas portuguesas nos arquivos britânicos. Antes dessa nomeação foi constituída uma comissão para avaliar os trabalhos de António Pedro Azevedo, pois levantaram-se suspeitas se a sua obra cartográfica não era mera cópia dos mapas de Vidal, tendo a comissão, que era presidida por Fransini, concluído que a acção que desenvolvera era muito meritória e que o próprio capitão Vidal na Nautical Magazine (n.º 7, Julho de 1848) não deixava dúvidas acerca do seu trabalho no levantamento da carta da Madeira, publicada em Londres em 1847.
Depois da sua morte foram impressas algumas cartas referentes aos Açores copiadas dos álbuns deste general e incluídas nos tomos VI e VIII dos Documentos para a História das Cortes Gerais. Essas cartas são uma do arquipélago dos Açores, outras das ilhas do Faial, Pico e São Jorge, outra do canal entre as ilhas do Pico e Faial, outra da ilha Terceira e outra ainda da cidade de Angra, Monte Brasil e baía, todas com anotações referentes às lutas liberais nos Açores. Foram impressas na Imprensa Nacional entre 1889 e 1892. José Guilherme Reis Leite (2007)
Fonte. Arquivo Histórico Militar (Lisboa), cx. 965.
Bibl. Canto, E. (1900), Bibliotheca Açoriana. Ponta Delgada, Typ. de Eugénio Pacheco, II: 194. Costa, A. J. P. (coord.) (2005), Os generais do Exército Português. Lisboa, Biblioteca do Exército, II (2): 93.
